segunda-feira, 18 de abril de 2011

E eu fico a arrumar as minhas mãos

Ofereces-me uma pedra negra mágica que trazes do norte

e as minhas palavras e as minhas mãos detêm-se sem saber

por quanto tempo irão ficar na soleira da noite e do dia

tacteamos os corpos em busca de memórias adormecidas

ocultas por sucessivas camadas de palavras por dizer

deslizamos para o chão sem resposta e o fumo sobe

equilibra-se em nuvem sobre as nossas cabeças e evola-se

em direcção a uma lua vermelha momentaneamente apagada

ao som de bob marley fazes as malas e partes e eu fico

a arrumar as minhas mãos e as palavras atrapalhadas

no fumo desorientado pela ausência de um ponto cardeal

junto cuidadosamente os teus cabelos rubros perdidos

entranço uma bola de fogo e guardo-a na memória

acendo uma dúzia de paus de incenso e imagino uma igreja

de adoradores do silêncio que escorre por entre as preces

a tua pedra negra regressa à minha mão fechada

e ilumina como um sol a minha noite em claro

Virás por uma palavra?

Carlos Alberto Machado

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