quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Ouve-se sempre a distância numa voz



por vezes a tua cara torna-se nítida e insuportável. outras vezes, esbate-se e com o esbatimento vem-me a resignação de te ter perdido. Às vezes esqueço-te. Ou ficas escondido numa casa, num quadro, numa árvore, de onde ressurgirás. Um dia olharei o quadro, a casa, a árvore, e lembrar-me-ei de ti. Mas cada vez haverá menos sítios onde te esconderes.




Rui Nunes
(Foto de Katia Chausheva)