terça-feira, 27 de maio de 2014

Dias assim


chegas a casa com as mãos
 cheias de sacos e vincadas
 pelo esforço. o silêncio é escuro 
antes de acenderes a luz; depois
 o silêncio é o mesmo, mas ilumina
 a solidão nos objectos da casa. largas tudo
 logo à entrada. acendes a luz fria da casa
 de banho. pegas no elástico, agarras os
 cabelos, escuros. e lavas o rosto. ele 
vai ficando na água. até que o faças 
escorrer pelo ralo: sem nenhum som. 






 Bruno Béu
 (Foto de Dara Scully)