segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Prefácio



Ao nível do mar
 como o nome da flor do vinho
 murmurado entre relógios de carvão
 escrito devagar na cal do silêncio
 como o lençol de púrpura 
no peito dos amantes 
de costas para a morte
 ao nível do mar 
como um cardume de palavras cintilantes 
no horizonte de cinza e de pavor 
como um cavalo branco toda a noite
 de estrela para estrela
 ao nível do mar 
como a flor que se abre na boca dos suicidas 
um homem
 ferido de morte 
vai falar 





 António José Forte