sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Não sei



Como pode
 a mais frágil borboleta
 transportar em si
 montanhas
 cidades rios oceanos
 a bandeira caída no azeite
 o poente cigano que pede boleia 
a nuvem em tamanho natural 
a metafísica do sangue
 o véu em chamas
 a casa feita de água
 o vento batendo portas e janelas
 ao longo deste corredor feito de palavras
 e como se isso fosse pouco 
eu 
e a tua ausência. 





 Artur do Cruzeiro Seixas