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domingo, 2 de novembro de 2014

Dor



Não sei quantas vezes chorei
 a boneca de papelão
 que se desfez na água 
 quando lhe dei um banho. 
 Eu não sabia que podem ser tão breves
 as coisas que abrigamos no próprio coração. 





 Graça Pires

sábado, 22 de dezembro de 2012

Rosa dos ventos


Anoiteceu mais cedo. À porta fechada,
  preparo um roteiro de viagens.
Sublinho rotas e derrotas.
Tatuo nos pulsos uma rosa dos ventos
e gravo na mão esquerda um astrolábio.
Tenho uma ilha adiada no peito.
  É a época das marés vivas. Pressinto-o,
  pela intensa ondulação do meu cabelo,
antecipando a tormenta.


Graça Pires

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Calendário das dificuldades diárias


Hei-de sobreviver ao meu próprio caos,
  antes que a noite seja mágoa no poente e, por dentro das manhãs,
  morram os pássaros sufocados de tristeza.
 

Graça Pires

sábado, 23 de junho de 2012

Essa vertigem


Podia esquecer-te para sempre, não fora a vertigem
da tua sombra a cercar os meus olhos.


Graça Pires

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A sul do silêncio

Em nome do teu nome, invoco o sul do silêncio e arrimo o corpo ao vagar dos teus dedos. Depois, deixo que me invadas, poro a poro,que me cerques, me sacies e que a luz ilícita dos teus olhos me ajuste ao teu abraço.







Graça Pires

quinta-feira, 24 de setembro de 2009