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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sobre a cegueira estar cega


Por que foi que cegámos?
 Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão.
Queres que te diga o que penso?
(...)
 Penso que não cegámos, penso que estamos cegos,
Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.
 



José Saramago
 (Ensaio sobre a Cegueira)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

De repente


O momento das carícias voltou a entrar no quarto, pediu desculpa por ter-se demorado tanto lá fora, Não encontrava o caminho, justificou-se, e, de repente, como aos momentos algumas vezes acontece, tornou-se eterno.



José Saramago

sábado, 22 de setembro de 2012

Eis o que dói


No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
  O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.


José Saramago

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sem palavras




Em que língua se diz, em que nação, em que outra humanidade se aprendeu a palavra que ordene a confusão que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados cantos de ave pousada em altos ramos dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?


José Saramago