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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Faltas


...
De súbito faltas-me debaixo dos pés
e noutros lugares


De ti é possível dizer
que te ausentaste para parte incerta
deixando tudo no teu lugar
...
De súbito faltam-me as palavras




Manuel António Pina

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Com o teu olhar


....

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.


Manuel António Pina

domingo, 11 de setembro de 2011

Todas as palavras


As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração, e não reconheci,
ou desistiram e partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
as que perdi, verbos e substantivos de que
por um momento foi feito o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.


Manuel António Pina

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dúvidas


.......


Quem me olha desse lado
e deste lado de mim?
As minhas dúvidas, até elas te pertencem?






Manuel António Pina

quinta-feira, 29 de outubro de 2009