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terça-feira, 30 de junho de 2015




Se flores jamais me deres,
 Se eu rir e tu não rires, 
Se quando eu chegar fugires 
Ninguém dirá que me queres! 
Se tu ocultar puderes 
O que há nesses olhos teus
 E que é tão igual nos meus
 Ninguém dirá que me queres! 
 Se alguma vez tu puseres 
A minha mão tua mão 
Sem que estremeças, então 
Ninguém dirá que me queres!
 E se o que te dei me deres 
A minha trança e três flores 
Não pode haver mais rumores 
Ninguém dirá que me queres! 





 Reinaldo Ferreira
 (Foto de Josephine Cardin)

sexta-feira, 29 de maio de 2015




Quero um cavalo de várias cores, 
Quero-o depressa, que vou partir.
 Esperam-me prados com tantas flores, 
Que só cavalos de várias cores 
Podem servir. 
 Quero uma sela feita de restos 
Dalguma nuvem que ande no céu.
 Quero-a evasiva - nimbos e cerros - 
Sobre os valados, sobre os aterros, 
Que o mundo é meu. 
 Quero que as rédeas façam prodígios: 
Voa, cavalo, galopa mais, 
Trepa às camadas do céu sem fundo, 
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo, 
Para onde tendem as catedrais. 
 Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores. 
Tenho a loucura, sei o caminho, 
Mas como posso partir sozinho 
Sem um cavalo de várias cores? . 





 Reinaldo Ferreira
 (Foto de Nishe)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Quem dorme à noite comigo ?





Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.


Reinaldo Ferreira