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sábado, 22 de janeiro de 2011

Quero dar-te



Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver

bago de arroz

grão de areia

semente de linho

suspiro de pássaro

pedra de sal

som de regato

a coisa mais pequena do mundo

a sombra do meu nome

o peso do meu coração na tua pele.
Rosa Lobato Faria


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Desencontros

Existe também o estranho desencontro
de ter o corpo num lugar
e a alma em outro,
de estar lá
ou de ainda não estar aqui

Rosa Lobato Faria

domingo, 15 de novembro de 2009

Não me lembro


Afirmas que brigamos. Que foi grave.

Que o que dissemos já não tem perdão.

Que vais deixar aí a tua chave

E vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?

Que livro? Que lembranças? Que papel?

Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens

Não te devolvo – é minha – a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,

Não sei se o queres levar, já está no fio.

E o teu casaco roto, aquele vermelho

Que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?

E o sol que dá no quarto de manhã?

É meu o teu cachorro que eu tratava?

É teu o meu canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?

Este beijo era meu? Ou já não era?

E o que faço das praias que não vimos?

Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?

E a falésia das tardes de Novembro?

E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?

De quem é esta briga? Não me lembro.



ROSA LOBATO DE FARIA