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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Eis-me


Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face
Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio
Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente









Sophia de Mello Breyner Andresen


terça-feira, 28 de julho de 2009

Dias assim



Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos

E conhecem o abismo pedra a pedra,

anémona a anémona,

Flor a flor


Sofia de Mello Breyner Anderson