sábado, 7 de maio de 2011

Gotas de Colírio





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Podes nadar em orgulho ao saber que todos os copos que bebi foram por ti.
Que os cigarros que fumei ansiosa e apressadamente foram pela saudade do teu corpo......


Jose Eduardo Agualusa

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pedir demais


O suor e as lágrimas são iguais

tenazes e salgados como o mar dos meus sonhos

e o oceano abissal dos meus pesadelos.

Não quero pedir demasiado...

mas gostava de suar um pouco mais

e chorar um pouco menos.




terça-feira, 3 de maio de 2011

Silêncios

Caí no silêncio há vários dias. Quero falar-te das horas incandescentes que antecedem a noite e não sei como fazê-lo. Às vezes penso que vou encontrar-te na rua mais improvável, que nos sentamos diante do rio e ficamos a trocar pedaços de coisas subitamente importantes: a tua solidão, por exemplo. Mas depois, virando a esquina, todas as esquinas de todos os dias, esperam-me apenas as aves que ninguém sabe de onde partiram.

Vasco Gato


segunda-feira, 2 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Mãe





Mãe vem ouvir a minha cabeça a contar historias ricas, que ainda não viajei!! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! Verdadeiro, encarnado!

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar, tenho sede! Eu prometo saber viajar...

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.
Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens.

Aquelas que eu viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! Ata as tuas mãos as minhas e dá um nó cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a mão sobre a minha cabeça!
Quando passas a tua mão sobre a minha cabeça é tudo tão verdade.



Almada Negreiros