segunda-feira, 6 de junho de 2011

Das coisas impossíveis

trinta cisnes no lago dos teus olhos. foi o que disse. não significa nada. não poderiam aí nadar. foi uma imagem. uma ideia. uma vontade grande de dizer que te amo e que vejo em ti tudo quanto sendo impossível faria da vida um lugar perfeito








Valter Hugo Mãe

domingo, 5 de junho de 2011

Escrever-te


Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo



Vergílio Ferreira (Cartas a Sandra)

sábado, 4 de junho de 2011

Noites perdidas


Quando cheguei a casa as minhas mãos traziam ainda o teu cheiro.

a minha boca abandonada na segunda metade de um beijo

mastigava palavras que te amariam se as deixasses pousar-te na pele.

Não quis adormecer para não ter de acordar sem ti mas acordei.


E a manhã é um silêncio

E o teu toque uma mentira.


Pedro Jordão

sexta-feira, 3 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ultimo brinde

Bebo ao lar em pedaços,

À minha vida feroz,

À solidão dos abraços

E a ti, num brinde, ergo a voz...

Ao lábio que me traiu,

Aos mortos que nada vêem,

Ao mundo, estúpido e vil,

A Deus, por não salvar ninguém.

Ana Akhmátova

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vestidos secretos





A quem deixar o meu guarda-roupa oculto
o guarda-roupa fantasma
de todos os vestidos
que tive e que me abandonaram
os vestidos
que nunca tive e que vesti em segredo
O vestido que veio demasiado cedo
e que nunca me caiu bem
o vestido
que chegou já tarde
para ir à festa
quando eu já tinha adormecido

O vestido de criança
tão igual ao vestido
da primeira boneca
O da menina com o corpete já estreito
que apertava os seios doendo-lhe em casulo
O da adolescente que pressentia o homem
ladrão de túnicas na sesta sufocante

O vestido esquecido
da mulher que sob a sombra
do homem eclipse ocultou-se uma noite
e amanheceu como a lua cheia
surpreendida pela luz na metade do céu

O vestido de guerra rasgado
como bandeira
da mãe partida em dois
para sentir-se inteira

O vestido de luto que não levei para os meus
mortos
que ainda vivem

Os vestidos que alguém me emprestou para sonhar

...Quando chegar a morte também será um vestido
que não verei porque estarei a dormir
.




Josefina Plá