sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015




É impossível
 quando procuras
 um mapa 
um espelho 

 um lugar onde assinalar estes desaparecimentos 





Marta Chaves
(Foto de Katia Chausheva)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015




a casa agora é feita d'ângulos agudos,
 de perguntas, de poços descobertos,
 e nós perdemo-nos por dentro d'outros mundos
 por portas que se abriram para dentro. 
 O meu coração repousa 
na cave no meio da minha vida 
e eu vagueio lá fora entre os sentidos. 
Sou eu quem chama, não me ouves bater? 





Manuel António Pina

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

´


Notícias da minha vida — para quê?
 O que tu possas imaginar dela talvez tenha mais encanto.
 Notícias minhas? Caberiam em três palavras: — Tento, apenas, esquecer-te! 





 António Botto

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015




Escrevo-te cartas que difundem o meu silêncio





Marta Chaves
 (Foto de Laura Makabresku)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015











Desistir do rosto, dos propósitos, das
 palavras. Há sílabas assim.
 Com a vergonha do afecto
 emprestada ao desalinho das mesas. 
Por ali, encenando a imobilidade, 
a rudeza de haver dor. 
 Eu sei que não virás. 
Bebo por ti, sem ti, contra ti, 
com o coração no bengaleiro 
a fingir que não, não faz diferença. 
E o pior é que até faz, 
por muito que ninguém o saiba. 





 Manuel de Freitas