Somos daqueles que limpam os ouvidos
com a chave do Mercedes
e fazem estalar os dedos,
às escuras, nas salas de cinema;
filhos das vindimas e da apanha da azeitona,
homens, quando a noite usa decote.
Somos, hoje, a melhor geração
de cansados profissionais, os mais vendidos autores do acaso.
Treinamos predadores de moscas,
limpamos passados, fígados gordos, rins cheios de diamantes.
Temos as mãos trémulas, é certo,
mas arrumamos,
seguros,
o dominó, no pátio do Alzheimer,
pois é a nós que procura a seta.
De maneira que não adianta muito termos pressa:
um dia, alguém chamará por nós
e nos marcará no peito
o número da sorte
com o ferro quente
com que se conta,
na Primavera,
o gado.
Golgona Anghel

Parabéns pelo poema. Muito bom!
ResponderEliminarSoubesse eu...que modificaria o mundo... [ 9º aniversário do blogue espiritual-idades]
Beijo-Boa noite.
A pressa é inimiga da perfeição:))Adorei o poema. :))
ResponderEliminarBjos
Votos de uma óptima Sexta-Feira