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domingo, 12 de agosto de 2018

quarta-feira, 3 de maio de 2017

e ficavas




Havia um tempo em que esperar por ti
 era consulta a meteorologia: 
preparar coração, achar ali, 
na coluna do lado, em geografia 

 de página, ou écran: coisa parecida
 o sol bem desenhado, os raios com
 a palavra por baixo, indicativa
 de que amanhã o tempo ia ser bom. 

 Mas não era a palavra, era o ruído, 
eu sem saber o que fazer comigo, 
e o sol, caracol longo a demorar- 

 -se - assim era ele oblíquo de rimar;
 porque eu sabia que o que ali rimava 
estava em saber que vinhas. E ficavas. 







 Ana Luísa Amaral

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

nem de saudades




Em voz alta, ensaiei o teu nome: 
a palavra partiu-se 
Nem eco ínfimo neste quarto
 quase oco de mobília 

 Quase um tempo de vida a dormir
 a teu lado e o desapego é isto: 
um eco ausente, uma ausência de nome
 a repetir-se 

 saber que nunca mais: reduzida
 a um canto desta cama larga, 
o calor sufocante

 Em vez: o meu pé esquerdo
 cruzado em lado esquerdo
 nesta cama 

 O teu nome num chão 
nem de saudades 








 Ana Luísa Amaral

quarta-feira, 14 de setembro de 2016




dentro das noites a pensar em ti 
 sabendo: não te vejo nunca mais 






 Ana Luisa Amaral

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Por que outra noite trocaram o meu escuro



Deixai-me o escuro, o meu. 
Porque ao lado da minha, 
a vossa ausência, essa que em mim plantastes,
 nada é. 
Tomáreis vós saber o que é ausência 
Ausência eu: demorada nestas linhas.
 Dizer com quanto escuro
 a noite se desfaz
 e se constrói — 






 Ana Luísa Amaral ( Escuro )

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Lista de espera







Da oferta e da procura


Com tanta angústia em stock
 não sei o que fazer
 acumulada é tanta
 que o coração assim
 não cabe mais 
Vendo-a barata, avulso.
 à vontade de bolso ou contentor, 
na quantidade exacta 
que o desejo traz 
Ou troco um quilo dela 
por grama de suor
 (ou meio grama de paz) 





 Ana Luísa Amaral

sexta-feira, 5 de julho de 2013

42 graus

 

Desliza-me na pele
o fio incandescente dos teus dedos,
que eu entrarei de frente
pelo sol,
e arderei no sol,
sem medo -




Ana Luísa Amaral

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

segunda-feira, 25 de julho de 2011

terça-feira, 20 de julho de 2010

Silêncio

Se me pedisses de repente e aqui:
"fala das luas e dos dias",
eu
nem falaria, diria só que estar contigo
é estar-me

Ana Luísa Amaral

terça-feira, 19 de janeiro de 2010