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terça-feira, 27 de março de 2018




O que passou passou. 
Jamais acenderás de novo
 o lume 
do tempo que apagou. 






 Ferreira Gullar

terça-feira, 21 de março de 2017

a poesia




De que vale tentar reconstruir com palavras 
O que o verão levou
 Entre nuvens e risos 
Junto com o jornal velho pelos ares 

O sonho na boca, o incêndio na cama, 
o apelo da noite
 Agora são apenas esta
 contração (este clarão)
 do maxilar dentro do rosto. 

 A poesia é o presente. 








 Ferreira Gullar
 (Foto de Mariam Sitchinava)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015




Saio do sono como 
de uma batalha
travada em 
lugar algum 
 Não sei na madrugada 
se estou ferido
 se o corpo
 tenho
 riscado 
de hematomas 
 Zonzo lavo 
na pia
 os olhos donde
 ainda escorre 
uns restos de treva






 Ferreira Gullar
 (Foto de Laura Makabresku)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira...

Ferreira Gullar