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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

metade da palavra amor




Pergunto-me o que andamos aqui a fazer
 em que andamos aqui a insistir
 agora que as tuas palavras já não são português
 para as minhas agora que os livros
 em português e outras línguas já não são
 motivo de conversas depois do jantar. 
 Se o teu corpo se demora num sono
 incerto eu tomo os gestos de rotina
 de uma casa como prolongamentos 
 dos teus a casa também cheia de sono
 pouco viva nós pouco vivos talvez
 com medo não sei talvez com medo.
 De um lado para o outro que andamos
 aqui a fazer? As palavras não se dizem
 voam num silêncio só delas quebram
 a paz falsa do teu sono do meu sono
 fazem barulho no pensamento do meu 
 sono confundem o meu silêncio 
 no delas. E aí vão ter contigo tão
 desfeitas e pobres no último sopro
 que já só diz metade da palavra amor.






 Helder Moura Pereira

domingo, 4 de fevereiro de 2018




No meio dos longos silêncios
 por vezes embatemos um no outro
 e ou há faícas ou uma grande cinza 






 Helder Moura Pereira

domingo, 29 de outubro de 2017

não sabes




Como dizer que este amor não morre ? Mil 
vezes olhei essa porta, por ti desejei 
chegar a terra, perder um grito onde ninguém 
ouvisse. E quando íamos falando de tudo
 só isso proibia calar o amor. Algumas vezes 
não sabes as coisas que mais guardo.







 Hélder Moura Pereira
 (Foto de Cristina Coral)

terça-feira, 22 de agosto de 2017

pediste-me o livro da emoção




Melhor fora que viesses sem saber
 de mim o que quer que fosse. 
Isso é que seria recomeçar a valer
 e não apenas com o que te trouxe.
 Para que isto não ficasse viciado
 à partida, protegia metade da alma. 
A metade que, quando estou deitado,
 fica para baixo e me acalma.
 Que corpo afectivo e voraz
 me deixa assim contente e vivo? 
O corpo que sempre me traz 
razão activa ao meu ser passivo.
 Pediste-me o livro da emoção
 e nele não leste nenhum compromisso. 
Discutimos antes a decoração,
 um de nós tem de ceder nisso. 






 Helder Moura Pereira
 (Foto de Laura Makabresku)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

geografia íntima




tantas vezes recordo aquele
 corpo que não sabia do prazer que me dava, 
 tantas vezes acordo e o seu nome quase
 me escapa dos lábios, reconheço as feridas,
 os golpes todos, se lembro é porque quero 
 esquecer 








 Helder Moura Pereira

quarta-feira, 28 de setembro de 2016




Eu preciso tanto de te tocar. 
Tocar-te com dedos mesmo e não só
 com palavras 






 Helder Moura Pereira

quinta-feira, 15 de setembro de 2016




Não te dei ouvidos 
Dei-te o corpo todo 
Mas só porque eras
 o intervalo entre
 o caos e o comboio 






 Helder Moura Pereira

segunda-feira, 5 de setembro de 2016




A perda do amor é sempre dano, 
sente-se que alguma coisa foi
 pelo cano abaixo, mas o amor tem
 a coisa de poder voltar. Às vezes 
não volta ou então é apenas
 fingimento, não passa de uma
 cadeira onde nos podemos sentar






 Helder Moura Pereira
(Foto de Ezgi Polat)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016




Gosto da tua boca quando sabe
 a chocolate a vinho tinto de Portalegre a mar (é sempre a mesma coisa tem
 de aparecer sempre o mar) pensando
 bem gosto da tua boca sempre. 

 Às vezes a tua boca ri e nada sabe ri porque prevê a hora certa da minha alegria. 
 Também eu mergulho no mar porém 
 logo secos ficam meus cabelos quando
 me lembro que hoje é outra vez dia de S. Nunca. 







 Helder Moura Pereira

sábado, 13 de agosto de 2016

preciso tanto amar-te




Preciso amar-te por isso digo fica esta 
noite, depois os dias do nosso trabalho
farão luz sobre o tempo. Tenho na cabeça 
a tempestade, tantas vezes recordo aquele 
corpo que não sabia do prazer que me dava,
 tantas vezes acordo e o seu nome quase 
 me escapa dos lábios, reconheço as feridas, 
os golpes todos, se lembro é porque quero 
esquecer. Fica esta noite, mais outra, o
 tempo que demora a cumprir a decisão de
 amar-te. E vamos fazendo o curso dos dias 
com algumas opiniões parecidas e ódios às
 coisas culpadas. A gente que diz coisas 
 de silêncio, os andaimes da cidade tapando 
saídas, as horas certas quando dizemos
 adeus. E que sentido têm estas lágrimas?
 Eu vivo neste ano e já me esqueço de mim, 
apenas vou precisar amar-te, depressa. 







 Helder Moura Pereira

terça-feira, 2 de agosto de 2016




Olha-se para aquele corpo e não parece
 que esteja preso por arames. 
O corpo fará análises e exames. Valores normais, nada 
de especial, não há razão para alarme. Mas, se 
se olhar bem, ver-se-ão os arames 
que o prendem. A quê? Prendem-no 
ao amor, porra, ao amor, é preciso gritar? 






 Helder Moura Pereira
 (Foto de Natalia Drepina)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

o calor dos dias




Eras mesmo a fonte de tudo, pelo menos
 naquele dia a que chamámos perfeito. 
Os dias tinham-se entranhado nos dias, 
a tal ponto que a vida era só dias, dias 
a seguir uns aos outros. Apenas dias. 
De olhos vendados e sem bater numa única
 parede, pegados a isto, ao cheiro reconhecido 
só quando um dos corpos se afasta. 
Sente-se a falta, eu farejo como um cão
 e depois sento-me triste a um canto 
com um livro na mão. Mas naquele dia 
que ambos classificámos de perfeito 
eu pude ver a vida ali desdobrada em duas
 à minha frente. E a tua inocência poderosa
 a dizer-me uma vez sem exemplo faz
 de mim o que quiseres, dobra o cabo
 dos trabalhos e atira-te de cabeça. 






 Helder Moura Pereira

segunda-feira, 16 de maio de 2016




Eu não tinha nada de felino, tu sabias 
que eu não tinha nada de felino. 
Nenhum de nós se admirou quando 
medi mal a distância e falhei o salto. 
Enquanto ia no ar parecia que era 
um salto bom, porém houve qualquer
 coisa que correu mal e caí com estrondo
 no chão. Ninguém riu. Não era caso 
para rir. Grande ilusão ir pelo ar a pensar 
que o salto podia ser bom, sem eu ter
 nada de felino, sem nunca ter treinado, 
sem fazer sequer aquecimento, sem
 olho para medir distâncias. Saber medir 
distâncias é uma coisa muito importante,
 pode falhar-se a vida por milímetros. 






 Helder Moura Pereira
 (Foto de Laura Makabresku)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015




alguém te segura à beira da derrocada
 e te pergunta saberás se lá no fundo há
 algo que valha a pena? pode ser que sim, 
pode ser que não, ninguém sabe






 Helder Moura Pereira

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Faltas-me


Se aqui estivesses isto não seriam palavras
 (...)
faltas-me quando estás a caminho,
 (...)

  Helder Moura Pereira

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Queria...


… Queria
prender-te, tornar a perder-te,
achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio
da semana
Helder Moura Pereira