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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Livros




Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. 
Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. 
Transformo-me todo em palavras.





José Luís Peixoto

domingo, 8 de fevereiro de 2015




todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor nao serve de nada. ficaram só
 os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a a cinza dos cigarros e da morte. 
 os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram
 demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas. 
 sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora,
 não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver deitado,
 nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder. 





 José Luis Peixoto

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Qualquer coisa


As tuas mãos, ou a tua pele, ou os teus lábios.
  o teu olhar. o teu olhar lembra-me sempre que
ou os teus cabelos, ou a maneira exacta como
o teu rosto. o teu rosto. ou o teu corpo que
adormece onde o vento não se esqueceu de
ou cada uma das tuas palavras, palavras,
palavras numa língua de céus impossíveis



José Luís Peixoto

sábado, 5 de janeiro de 2013

Dentro de mim


O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua, a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.



José Luís Peixoto

domingo, 6 de maio de 2012

Mãe


Mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo.
Eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são
todas as estrelas que existem.

José Luís Peixoto

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ensina-me de novo


O teu sono anoiteceu mais que a noite
e hei-de escrever-te sempre sem que nunca
te escreva sei as palavras que fechaste
nos olhos mas não sei as letras de as dizer
ensina-me de novo se ensinares-me for
ir ter contigo ao teu sorriso ensina-me
a nascer para onde dormes que me perco
tantas vezes numa noite demasiado pequena
para o teu sono num silêncio demasiado fundo
dormes e tento levantar a pedra que te
cobre maior que a noite o peso da pedra que
te cobre e tento encontrar-te mais uma vez
nas palavras que te dizem só para mim
o teu sono anoiteceu mais que as mortes
que posso suportar e hei-de escrever-te
sempre e mais uma vez sozinho nesta noite


José Luís Peixoto

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E eu..




Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.
Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.
Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.
Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te.
Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.
Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.
Toda a cidade se destina à noite
e eu amo-te

José Luís Peixoto




sábado, 13 de novembro de 2010

...E de poemas

Os teus lábios parados eram a noite, o abismo e o silêncio das ondas paradas de encontro às rochas. O teu rosto dentro das minhas mãos. Os meus dedos sobre os teus lábios e a ternura, como o horizonte, debaixo dos meus dedos. Os meus lábios a aproximarem-se dos teus lábios, a aproximarem-se dos teus lábios, a aproximarem-se dos meus lábios... teus lábios.

José Luís Peixoto

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Esse instante


Lembro-me da minha mão
pousada sobre a tua
e esse instante está debaixo
da palavra solidão.






José Luís Peixoto

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aqui e agora



O poema é aqui, quando levanto o olhar do papel e deixo as minhas mãos tocarem-te




José Luís Peixoto

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fogo posto


A situação é esta: os campos eram puros e limpos, eu ateei muitos fogos, tinha fósforos e gasolina, agora estou no exacto centro de todos eles, cercam-me por todos os lados que não existem para fugir, e espero pelo incêndio, apenas espero

José Luís Peixoto



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Do sentir


Não penso para onde foste porque o meu peito, sem ti, fica atravessado por lâminas, tenho um silêncio dentro.
Toco os sítios onde estiveram as tuas mãos.
Sinto o que sentiste.

José Luís Peixoto

terça-feira, 30 de março de 2010

Uma palavra


Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais. Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido. Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível. Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra. Amoramoramor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada... O amor é a solidão


José Luís Peixoto /Uma Casa Na Escuridão

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Esperas..


Não me arrependo das horas que perdi a esperar-te
quando ainda havia a esperança...a esperança
que havia ainda quando, a esperar-te,
perdi horas de que não me arrependo...

José Luís Peixoto

domingo, 4 de outubro de 2009

Dedicado


mana
Ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre no
mesmo sítio se fecharmos os olhos
serás sempre tu e tu que me ensinarás
a nadar seremos sempre nós sob
o sol morno de julho e o véu ténue
do nosso silêncio será sempre o
teu e o teu e o meu sorriso a cair
e a gritar de alegria ao mergulhar
na água ao procurar um abraço que
não precisa de ser dado serão
sempre os teus e os teus e os meus
cabelos molhados na respiração
suave das parreiras sempre as tuas
e as tuas e as minhas mãos que não
precisam de se dar para se sentir
ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre
juntos nesta tarde de sol de julho
a nadarmos sob o planar sereno dos
pombos no tanque pouco fundo da
nossa horta sempre no tanque fresco
da horta que construíram para nós
para que na vida pudéssemos ser
mana e mana e mano sempre..
José Luís Peixoto

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ninguém imagina



Não imaginas, ninguém imagina, como o meu peito
ficou vazio depois de partires. O teu sorriso existia
ainda dentro de mim, mas já não eras tu. era a tua
imagem.
Não penso para onde foste porque o meu peito, sem
ti, fica atravessado por lâminas. Tenho um silêncio
dentro. Toco os sítios onde estiveram as tuas mãos.Sinto o que sentiste.
Fico acordado de noite, com a esperança secreta de que possas regressar.

José Luís Peixoto,

domingo, 20 de setembro de 2009

Escrevo-me


Escrevo-me.
Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto.
E o que sinto é o que existo e o que sou.
Escrevo-me nas palavras mais ridículas:
amor, esperança, estrelas,
e nas palavras mais belas:
claridade, pureza, céu.
Transformo-me todo em palavras.

 
José Luis Peixoto

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ternura



Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,

acordarei entre os teus braços.

a tua pele será talvez demasiado bela.

e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.

um dia, quando a chuva secar na memória,

quando o inverno for tão distante,

quando o frio responder devagar como a voz arrastada de um velho,

estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela.

sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha,

porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra,

nem o princípio de uma palavra,

para não estragar a perfeição da felicidade


 José Luís Peixoto