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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

domingo, 22 de outubro de 2017

quinta-feira, 11 de agosto de 2016




O verão é feito de coisas 
que não precisam de nome 
 um passeio de automóvel pela costa
 o tempo incalculável de uma presença
 o sofrimento que nos faz contar
 um por um os peixes do tanque
 e abandoná-los depressa 
 às suas voltas escuras 






 José Tolentino Mendonça
 (Foto de Cristina Coral)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016




Ainda espero o amor 
 como no ringue o lutador caído
 espera a sala vazia 






José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015




atrás de ti o caminho luminoso 
como se o abismo tivesse uma cabeleira branca. 






 José Tolentino de Mendonça
 (Foto de Natalia Drepina)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015




há uma altura, creio
 um dia em que se acorda 
e se percebe tudo:
 a traição do acaso
 que dispersa a folhagem do jardim, 
a solidão inacessível dos desertos, 
a ferocidade da natureza 
em certas estações,
 essa espécie de errância 
que pertence ao silêncio
 mais que a qualquer palavra 





 José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 1 de maio de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015




Sem abandono
 seríamos chama fora do fogo 
 água fora do mar 





 José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 17 de abril de 2015




O amor é uma noite a que se chega só 





José Tolentino Mendonça
 (Foto Natalia Drepina)

sexta-feira, 6 de março de 2015




Atei os sentidos à escuridão
 parado diante da tua porta
 já não pergunto





 José Tolentino Mendonça
(Foto de Katia Chausheva)

quarta-feira, 5 de março de 2014

A mão, o muro, o mundo


A mão preferida pelo silêncio
 evoca sobre o muro
 um alfabeto sem vincos 




 José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

Silêncio:


Encontrámos na encosta
Flores ainda sem nome





José Tolentino Mendonça  (A papoila e o monge)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Claridade


Perdemos repentinamente a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos conservar
mas levamos anos a esquecer alguém
que apenas nos olhou
 


José Tolentino de Mendonça

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Pago-te um café se me contares o teu amor

 
(...)
E temos saudades desse mar
  que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois


José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Alfabeto dos dias


Por vezes, de um dia que vivemos,
de um filme, de um poema... por vezes de alguém,
 conservamos uma palavra.
 Não saberemos explicar porquê,
mas essa palavra aloja-se dentro do nosso pensamento,
atravessa vagarosamente os nossos silêncios,
fecha-se à chave dentro de nós.


José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Isto é o meu corpo


O corpo tem degraus, todos eles inclinados
milhares de lembranças do que lhe aconteceu
tem filiação, geometria
um desabamento que começa do avesso
e formas que ninguém ouve
O corpo nunca é o mesmo
ainda quando se repete:
de onde vem este braço que toca no outro,
de onde vêm estas pernas entrelaçadas
como alcanço este pé que coloco adiante?
Não aprendo com o corpo a levantar-me,
aprendo a cair e a perguntar.


José Tolentino Mendonça