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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

marear



Deus fez-nos cheios de buracos na alma
 e o nosso dever é tapá-los todos para navegar. 







 Vergílio Ferreira

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

partir



Era a grande montanha a oriente, a sua liberdade espacial, era o bafo quente de um amor perdido, a flor original de uma alegria morta.
 E então voltei para lá a minha face molhada, e tudo em mim disse adeus longamente. 






 Vergílio Ferreira

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018




Não vás ainda. Volta de novo.
 Vou deitar-me outra vez no meu lugar e deixar o teu à tua espera. 
Vem de noite sem eu dar conta e acordar contigo
 ainda no teu sono e tocar-te e seres tu. 






 Vergílio Ferreira
 (Foto de Nishe)

terça-feira, 30 de maio de 2017

por dentro




A noite -a hora em que tudo é imenso como um olhar cego.
 A hora em que estamos a sós connosco, com esta coisa terrível
 que somos nós por dentro vivíssimos
 e não há público nenhum para nos ajudar.








 Vergílio Ferreira

quarta-feira, 26 de abril de 2017

manual de fuga




Resta-me o abandono passivo a uma íntima ternura, à sua obscura beleza,
 para lá de tudo o que é belo e que me humedece o olhar.
 Como quem ama ainda uma mulher e lhe não pode tocar. 
Como quem envelhece e entende a vida apenas na sua longa melancolia.









Vergílio Ferreira

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

nada




Porquê? Para quê? 

 Por nada. Para nada. Mas não perguntes. 






 Vergílio Ferreira

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Nunca mais nos veremos?




Perguntei com a estupidez de quando não há perguntas a fazer







Vergílio Ferreira
 (Foto de Katia Chausheva)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016





"talvez te procure ainda, 
talvez te escreva uma carta de amor"








Vou deitar-me outra vez no meu lugar e deixar o teu à tua espera. 
Vem de noite sem eu dar conta e acordar contigo ainda no teu sono
 e tocar-te e seres tu. 






 Vergílio Ferreira
 (Foto de Laura Makabresku)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015




Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar. 
E então pensei: 
vou-te escrever.





 Vergilio Ferreira
 (Foto de Mariam Sitchinava)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

E seres tu


assim, hoje ao acordar fiquei aterrado ao ver que de noite me rolara para o meio da cama. deitei-me como sempre do meu lado, para deixar livre o teu no caso de resolveres voltar e te deitares nele. mas o sono levou-me para o sítio que é o bom e fica à minha esquerda. porque é que eu me passei para o meio da cama? e só acho uma como resposta o teres morrido para sempre. e fiquei horrorizado da minha libertação. não vás ainda. volta de novo. vou deitar-me outra vez no meu lugar e deixar o teu à espera. vem de noite sem eu dar conta e acordar contigo ainda no teu sono e tocar-te e seres tu.





Vergílio Ferreira   (Cartas a Sandra)

domingo, 5 de junho de 2011

Escrever-te


Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo



Vergílio Ferreira (Cartas a Sandra)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Fica


Porque curiosamente, onde menos te encontro é onde tu exististe. Desprendeste-te donde estiveste e é em mim que mais me acontece tu estares. Mas nem sempre. Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes penso é bom que assim seja para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes tu rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro e digo-te vai-te, vai-te embora. Por favor. E eu sinto-me logo tão infeliz. E digo-te não vás.
Fica.
Para sempre.

Vergilio Ferreira

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Noites assim

Inventa a eternidade na simples comoção de olhar uma estrela.
Basta que a olhes pela primeira vez, depois de a teres olhado inúmeras vezes.
E, então, não precisarás de nenhum deus que te ponha a mão no ombro e diga estou aqui.
Uma estrela espera-te desde toda a eternidade.
Procura-a.
E vê se a não perdes durante a vida inteira.
A tua estrela pode não estar no céu.
Põe-na lá


Vergilio Ferreira