terça-feira, 11 de julho de 2017

o que eu quero




Não tenho paciência para ouvir os outros, não tenho paciência para viver,
 não tenho paciência para morrer, estou aqui, parada, num desequilíbrio interminável, 
nunca mais acabo de cair, irrito-me se me falam, sofro se me não dizem nada,
 odeio o gesto caridoso: a mão de alguém nos meus cabelos, 
o que eu quero é uma voz que me queira, 
 um momento de descanso nessa voz. 






 Rui Nunes
 (Foto de Katia Chausheva)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

as cartas marcadas




Definitivamente, é o meu Outono, 
um tempo de alianças impossíveis,
 a idade vermelha de todos os perigos 
para homens maduros e miúdas solitárias. 
A idade do adultério e do olvido
 sem nenhuma esperança, a idade fria, 
a partida final contra nós mesmos.
 Mantenho-me à mesa, sem esperar a sorte, 
neste jogo já não entra o azar. 
É o tempo de fazer uma paciência 
com as cartas marcadas da vida. 







Joan Margarit

segunda-feira, 3 de julho de 2017

quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio




 Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona. 
Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, 
gostas da companhia que tens nos momentos vazios. 







Jean Houston
 (Foto de Anka Zuravleva)

sábado, 1 de julho de 2017

nada






la muerte se muere de risa 
pero la vida se muere de llanto pero la muerte pero la vida
 pero nada nada nada 






 Alejandra Pizarnik
 (Foto de Anka Zuravleva)