Na lista dos teus fins venho no fim
Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus
sexta-feira, 14 de julho de 2017
terça-feira, 11 de julho de 2017
o que eu quero
Não tenho paciência para ouvir os outros, não tenho paciência para viver,
não tenho paciência para morrer,
estou aqui, parada, num desequilíbrio interminável,
nunca mais acabo de cair,
irrito-me se me falam, sofro se me não dizem nada,
odeio o gesto caridoso:
a mão de alguém nos meus cabelos,
o que eu quero é uma voz que me queira,
um momento de descanso nessa voz.
Rui Nunes
(Foto de Katia Chausheva)
quinta-feira, 6 de julho de 2017
as cartas marcadas
Definitivamente, é o meu Outono,
um tempo de alianças impossíveis,
a idade vermelha de todos os perigos
para homens maduros e miúdas solitárias.
A idade do adultério e do olvido
sem nenhuma esperança, a idade fria,
a partida final contra nós mesmos.
Mantenho-me à mesa, sem esperar a sorte,
neste jogo já não entra o azar.
É o tempo de fazer uma paciência
com as cartas marcadas da vida.
Joan Margarit
terça-feira, 4 de julho de 2017
segunda-feira, 3 de julho de 2017
quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio
Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona.
Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente,
gostas da companhia que tens nos momentos vazios.
Jean Houston
(Foto de Anka Zuravleva)
sábado, 1 de julho de 2017
nada
la muerte se muere de risa
pero la vida
se muere de llanto pero la muerte pero la vida
pero nada nada nada
Alejandra Pizarnik
(Foto de Anka Zuravleva)
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