quarta-feira, 11 de outubro de 2017

aquiles





( tu não fazes a barba
 e eu não sei onde guardei o manual de sobrevivência
 das minhas secretas fragilidades)






segunda-feira, 9 de outubro de 2017

o amor é para os parvos




Inevitável. A palavra certa é inevitável e lembro-me que foi essa a palavra que me ocorreu enquanto te abraçava e tu me abraçavas a mim. Era forçoso que assim fosse, não porque o quisesses tu ou o desejasse eu. Não porque não te amasse, ou porque não me quisesses tu. Simplesmente tinha de acabar, de uma forma ou de outra e, sendo assim, antes terminasse com um abraço. Mas tinha que acabar. São coisas que não se explicam, ou que, tendo explicação, não podem justificar-se recorrendo às escorreitas equações da lógica. Eu gosto-te, tu gostas-me; logo: separámo-nos. Tu vais e eu fico. Sofres tu e eu sofro também, porque tem mesmo que ser assim e não podia ser de outra maneira. E, se calhar, tinhas razão – o amor é mesmo para os parvos.







 Manuel Jorge Marmelo

domingo, 8 de outubro de 2017

estou afinad(a)




(...) 
 Não ranjo. Não sangro. Não choro. Não peço. Não morro. 
 A não ser que me sobrevenha uma embolia ao baralho. Ao caralho.
 Por isso, conservo-me em álcool. Como os miúdos fazem às cobras.
 O formol é para os Deuses. 






 Miguel Martins

sexta-feira, 6 de outubro de 2017




A vida

 Eis o que eu dava para nunca te ter visto
 ou para te ver só mais uma vez







 Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, 3 de outubro de 2017

– socorro –




Não ter um Deus 
não ter um túmulo
 não ter nada de certo
 mas apenas coisas vivas que nos fogem – 
existir sem ontem
 existir sem amanhã
 e cegar no vazio
 – socorro – 
pelo sofrimento 
que não tem fim – 






 Antonia Pozzi
 (Foto de Anna O)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017