segunda-feira, 30 de julho de 2018

de noite




Gosto de me deitar
 sem sono
 para ficar 
a lembrar-me
 das coisas boas
 deitada 
dentro da cama
 às escuras
 de olhos fechados
 abraçada a mim





 Adília Lopes

sábado, 28 de julho de 2018

quinta-feira, 26 de julho de 2018

mal



Não há nada que tu faças
 Que te não faça imenso mal,
 Desde o uso das estrelas 
Ao abuso corporal. 
Em volta a ti morre a morte
 Mas tu próprio não ficas inteiro 
Sorris de manhã à noite 
Como a um espelho fatal. 
Cortas a vida aos pedaços 
Para ver se fica igual. 

 Não há nada que tu faças 
Que te não faça imenso mal. 






 Mário Cesariny

terça-feira, 24 de julho de 2018

passo bem sem café



Guardei o recibo, que não serve para nada. 
Dados impessoais: o nosso subtotal foi de 6.35
 — pediste uma água mineral, um café
 e uma sandes de ovo (em que nem tocaste);
 pagámos caro por estarmos ali os dois, 
na cafetaria do aeroporto com uma hora inteira
 só para dizer uma palavra. Tudo
 processado por computador, IVA incluído. 
Uma operação que teve início precisamente
 às 04:55 da madrugada. Agora
 temos muito tempo para nos contentarmos
 por já não termos que disputar as contas, 
tu pagas os teus cafés, e eu sem ti 
passo bem sem café. 






 Diogo Vaz Pinto

domingo, 22 de julho de 2018

fogo posto




Conta-me na pele os meus sinais 
Nas veias quantos segredos
 Conta-me na carne os vendavais
 Que se levantam na ponta dos teus dedos 
Diz em que ser eu me tornei 
Do que sou feito e o que faço
 Conta-me aonde eu regressei 
Quando me contas no teu braço
 Conta-me os cabelos quase cal
 E o líquido cansaço do meu sexo 
Conta-me este amor quase animal
 Para que deus me faça nexo 
Conta-me os meus cinco sentidos
 Que há no teu nome e em mais nenhum
 Conta-me que estando os dois unidos 
Só se pode contar até um.







 João Monge

quinta-feira, 19 de julho de 2018