quarta-feira, 11 de setembro de 2019

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

torpor



Empurro-te com o 
vinho
 já que tenho de te esquecer 

 como se aí o teu corpo
 escorregasse melhor
 ou aí escorressem melhor
 as horas 

 restando apenas borras 
do que foi torpor 






 Daniel Jonas

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

é verão



Sonho contigo aos beijos
 entre as minhas pernas, 
acordo, não acordo, quase não durmo, 
abro as persianas,
 fervo água,
faço um chá escuro como café, 
uma torrada com manteiga, 
de olhos fechados, 
queimo a língua,
 arde menos do que os meus pensamentos, 
de olhos fechados, 
como a torrada como se fosse um figo, 
enfio o Verão na boca, 
foste o meu Verão, 
só tive um Verão,
 de olhos fechados não chove, 
de olhos fechados é Verão 







 Raquel Serejo Martins

terça-feira, 3 de setembro de 2019

melancolia



Compreendo se a preferires. A melancolia dela é dócil e fresquinha, põe-se à janela a deitar o olho ao mundo, a acenar a quem passa, a importar-se e a sentir muito. Não é uma melancolia como a minha, que vive nos fundos desde o dia em que nasci, cheira a mofo e quando vem à luz do dia é para ser sacudida para cima dos outros como um velho tapete. Com ela estás seguro. Nem o barro dos teus pés nem o fio débil do teu argumento serão desmascarados. Uma mulher como ela nada mais pode contra um homem além de bater nele as suas ancas e, no fim, dar-lhe um empurrão suave a dizer vai-te lavar.  





MP
(texto do belíssimo bog  https://maepreocupada.blogspot.com/)







domingo, 1 de setembro de 2019

post it




ao contrário de Koltés, eu digo que é alarmante ser-se ferido
 quando se esperava ser acariciado