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terça-feira, 20 de março de 2018

a primavera




depois do branco e deserto inverno 
 a primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome,
 nem acredite no calendário, 
 nem possua jardim para recebê-la 





 Cecília Meireles
 (Foto de Anna O)

domingo, 19 de junho de 2016




O meu amor não tem
 importância nenhuma. 
Não tem o peso nem 
de uma rosa de espuma!
 Desfolha-se por quem? 
Para quem se perfuma? 
 O meu amor não tem 
importância nenhuma. 






 Cecília Meireles

quarta-feira, 1 de abril de 2015




Pus o meu sonho num navio
 e o navio em cima do mar;
 - depois, abri o mar com as mãos,
 para o meu sonho naufragar 





 Cecília Meireles
 (Foto de Natalia Drepina)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Em que espelho



Eu não tinha este rosto de hoje,
 assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. 
Eu não tinha estas mãos sem força, 
 tão paradas e frias e mortas; 
 eu não tinha este coração que nem se mostra.
 Eu não dei por esta mudança,
 tão simples, tão certa, tão fácil: 
 Em que espelho ficou perdida a minha face? 




 Cecília Meireles

domingo, 16 de março de 2014

Depois do branco e deserto inverno


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, 
 nem acredite no calendário, 
 nem possua jardim para recebê-la 




 Cecília Meireles
(Foto de Dara Scully)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

domingo, 14 de abril de 2013

Dentro dos dias


De que são feitos os dias?
  - De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças



Cecília Meireles

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cadeira vazia


Desejo uma fotografia como esta — o senhor vê? — como esta:
em que para sempre me ria como um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria, derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta nem de arbitrária fantasia...
Não..

Neste espaço que ainda resta, ponha uma cadeira vazia.



Cecília Meireles