Mostrar mensagens com a etiqueta Daniel Faria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Daniel Faria. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

promessas




Dou-te, como desde sempre, o poder 
 De escreveres na pele da minha mão
 As promessas que te fiz 






Daniel Faria

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

guarda-me


A mulher lançou a sua mão
Eu estava na palma da mão
Eu era uma linha que se apagava
Uma linha que ninguém sabia ler.
Eu disse à mulher: Ah, fecha a mão
Para me guardares






Daniel Faria

domingo, 23 de janeiro de 2022

a soma dos dias



 

Bato à porta do teu quarto mesmo quando sei que não estás. 
Descobri agora quanto custa aos mendigos,
 não digo a fome, mas não haver ninguém. 






Daniel Faria

quarta-feira, 30 de junho de 2021

podem cortar-me o coração que eu vivo



 

Aproxima-te.
Preciso dos teus olhos acesos para não me despenhar no vazio. 
Para não ter frio 






Daniel Faria

segunda-feira, 1 de março de 2021

casa



Queria ter a posição dos claustros 
A posição do monge antigo que os varre
 A posição do moribundo que pergunta as horas
 A posição das árvores quando as crianças sobem 
A posição dos ramos quando os ninhos nascem 
A posição de alguém que já não mora. Queria 
Como se tivesse
 A posição da casa e alguém me visitasse 






 Daniel Faria
 (Foto de Andrei Tarkovsky)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

tristeza



Assemelhei-me a um xilofone de silêncio 
 A um estrondo muito forte que só se ouvia bem em silêncio. 
 Gritei: então canta! 
 Ela pegou na minha tristeza e começou a dobar. 






 Daniel Faria
(Foto de Ezgi Polat)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

acabo sempre por falar de ti



há uma diferença
 entre a magnólia que nos cresce fora 
 e aquela que regamos com o sangue 






 Daniel Faria

quarta-feira, 15 de março de 2017




Deixo o corpo à sombra da flor mais alta 
Ao redor de uma lâmpada
 Apagada. Acendo a morte. 
Sou um fio a prumo, uma nuvem 
Que passa 
Uma casa aberta e fechada








 Daniel Faria

quarta-feira, 31 de agosto de 2016




O Verão 
Está quase a terminar 

 Não 
O diremos a ninguém. 







 Daniel Faria

quarta-feira, 16 de março de 2016




E a espera é não acontecer
 — 
 E a saudade é tudo ser igual. 






 Daniel Faria
 (Foto de Ezgi Polat)

domingo, 21 de fevereiro de 2016




Como fui esquecer o caminho para fora? 






 Daniel Faria
 (Foto de Ezgi Polat)

terça-feira, 24 de novembro de 2015




Ninguém me chama

 Escuto o calcanhar do pássaro 
Sobre a flor 
E não respondo 






 Daniel Faria

quarta-feira, 7 de outubro de 2015




Caminho sem pés e sem sonhos 
só com a respiração e a cadência 
da muda passagem dos sopros
 caminho como um remo que se afunda. 






 Daniel Faria

terça-feira, 31 de março de 2015




A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
 E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão





 Daniel Faria

domingo, 19 de outubro de 2014



há um comboio iluminado no meu cérebro 
cheio de túneis e de noites. 





 Daniel Faria

domingo, 29 de junho de 2014

A morte da magnolia



A árvore foi a forma de te ver
 E desci para abrir a casa. 
De me teres visitado e avistado 
Entre os ramos
 Fizeste-me passagem
 Da folha ao voo de pássaro 
Do sol à doçura do fruto. 
Para me encontrares me deste 
A pequenez 





 Daniel Faria

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mulher


Antes da noite
 Brunirás os montes 
 Bordarás a chuva
 Tecerás o tempo
 Com as tuas lágrimas
 Lavarás o vento




 Daniel Faria

sábado, 21 de dezembro de 2013

Pergunto


Quando repousarei
Ausente sem sofrer
Qualquer ausência?




   Daniel Faria
 (foto de Katia Chausheva)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Promessas


Prometo-te a palma da minha mão para a escrita.
Cerca-a de magnólias, cerca-me. Podes fechar a escrita
No interior da mão ou na boca dos livros
Podes esquecê-la ou libertá-la dos mil botões
Que ela sopra no interior dos homens.
Podes mandá-la àqueles que mais amas
Ou como pétalas e mensagens nas anilhas das aves
Aos teus próprios inimigos.
Podes desarmá-la para propagares as chamas.
Dou-te, como desde sempre, o poder
De escreveres na pele da minha mão
As promessas que te fiz.
Sabes que existo
E que vou repetir-te todas as coisas outra vez.



Daniel Faria

domingo, 5 de maio de 2013

A mãe


Quando o pirilampo morreu
  O homem disse: fiquei cego
  Mesmo continuando a ouvir os ralos
  Não acharei o caminho para casa
Tinha roubado um pára-raios velho
  E pondo-o à cabeça esperava
 
A mãe



Daniel Faria