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sábado, 21 de janeiro de 2017




Entre cidade e cidade 
Depois do muro o abismo 
Vento nos ombros a mão
 Estrangeira na carne solitária 
O anjo ainda o ouço 
Mas já não tem rosto a não ser
 O teu que não conheço







 Heiner Müller

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017




De noite atravessando o lago a nado o momento
 Que te põe em causa Já não há outro 
Finalmente a verdade 
Que tu mais não és que uma citação 
De um livro que não escreveste 
Podes escrever uma vida para negar isto na tua 
Fita de máquina descorada 
O texto lê-se à transparência 






 Heiner Müller

terça-feira, 8 de setembro de 2015




algo me devora
 fumo demais
 bebo demais
 morro lentamente demais 






 Heiner Müller

sábado, 29 de agosto de 2015