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quarta-feira, 5 de abril de 2017

o lado errado da noite




Às vezes apetece-me desejar a mim mesmo boa-noite, 
antes de me virar sobre o meu lado direito,
que é o lado em que sempre penso trazer o coração 






 João Miguel Fernandes Jorge

quinta-feira, 16 de março de 2017




A imobilidade era o seu domínio. 
Durante todo o tempo
 não dera um passo
 não esboçara um único movimento. 
Alguns animais selvagens são
 assim perante a morte
 e o perigo. 








 João Miguel Fernandes Jorge
 (Foto de Nishe)

domingo, 5 de julho de 2015




Escreveu-me cartas. Enviou-me
 uma roldana de ferro 
daquelas que se usam para tirar
 água dos poços. Enrolou-lhe um poema 
em vez da corda que tem de 
suster o balde. Podes falar -
 -me de ti: quando estou cansado 
eu sou um bom ouvinte. 





 João Miguel Fernandes Jorge
(Foto de Nishe)

terça-feira, 28 de abril de 2015

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A memória da pele


Acabei hoje o sabonete cujo uso iniciaste aquando
o teu último banho cá em casa. Ficaram coisas que
te pertencem e que não sei se deva guardar,
a saber: um candeeiro, um desenho, uma fotografia.
Outras coisas ficaram
alguns discos e já não sei que livro. Não ferem
tanto. Há ainda a memória da pele, o amarelo dos
olhos e algumas expressões do teu português falado.
Mas estas últimas coisas já se confundem com o
espírito da casa, quero dizer-te com a poeira da
casa.



João Miguel Fernandes Jorge