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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

mil e uma noites



Lentamente afasta-se. Suas mãos já não tocam 
a nossa testa nem seus gestos nos adormecem
 as pálpebras. Fazemos o sono para o esquecer
 e nenhuma noite bastará. 






 Joaquim Manuel Magalhães

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

onde a memória dói



Prefiro a arte de esquecer à de lembrar





 Joaquim Manuel Magalhães
(Foto de Saul Leiter)

segunda-feira, 7 de março de 2016




Por debaixo da luz condicionada dos calmantes
 adormeceram versos que não posso acordar. 
O quarto cerrado sobre o bosque, 
musgo indecifrável,
 a tundra do escuro
 E chove. 






 Joaquim Manuel Magalhães
 (Foto de Katia Chausheva)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015




Eu sei que não virás. O quarto 
 seria este, estes os meus braços, aquela
 a jarra com as flores. 

Sabes o que é o amor? Poder e não poder
 dizer o teu nome sem que me rebente 
 dentro do estômago, dos intestinos, dos pulmões 
a faca de infecções de que poderei morrer. 






 Joaquim Manuel Magalhães

quarta-feira, 8 de abril de 2015




Tudo o que da luz 
desce e antigo finda 
na saliva da voz, 
guerras do orvalho 
na manhã dos meses, 
águas pelo musgo, 
janelas com sol,
 tudo nos falseia,
 nos lança do centro
 onde o corpo dorme. 

Já sem o repouso, 
o esquecimento, 
os olhos fechados para te não ver. 





 Joaquim Manuel Magalhães
 (Foto de Laura Makabresku)

domingo, 3 de março de 2013

Não sei


 
Eu queria outro país, outro lugar
Ainda que me digam
que vivemos em democracia eu digo
que não sei.



Joaquim Manuel Magalhães

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Estavas de costas


 
e eu toquei-te num ombro.
Demoraste três anos a voltar-te, o sol caía.


Joaquim Manuel Magalhães