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quinta-feira, 14 de junho de 2018

a ausência é uma forma do inverno




assim dói uma noite, 
 com esse mesmo inverno de quando tu me faltas, 
com essa mesma neve que me deixou em branco,
 pois de tudo me esqueço 
 se tenho de aprender a recordar-te









Luis Garcia Montero

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Problemas de Geografia Pessoal


Nunca sei despedir-me de ti, fico sempre
com o frio de alguma palavra que não disse,
com um mal-entendido a recear,
o vazio de torpe inexistência
que às vezes, gota a gota, se converte
em desesperação.
Nunca sei despedir-me de ti, porque não sou
o que em viagem passa pela gente,
o que vai de aeroporto em aeroporto,
o que olha os automóveis em direcção contrária,
indo para a cidade
onde acabas de chegar.
Nunca sei despedir-me, porque sou
um cego que tenteia pelo túnel
das tuas mãos e lábios quando dizem adeus,
um cego que tropeça nos mal-entendidos
e com essas palavras
que não se sabe articular.
Desterrado do amor,
nunca posso afastar-me de tudo quanto és.
Num vazio de torpe inexistência
vou-me de mim
a caminho do nada.



Luis García Montero

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Persistência da memória

       Salvador Dali (A Persistência da memória) 

 
Nas cidades podem encontrar-se
relógios que param no último copo,
a lua sobre um táxi
e todos os poemas que te escrevo.


Luis García Montero