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quinta-feira, 13 de maio de 2021

sexta-feira, 3 de julho de 2020

quem te cercou de muros e de abismos ?



Quem desviou na noite os teus caminhos ?
 Quem derramou no chão os teus segredos ? 








Sophia de Mello Brreyner Andersen

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sophia



E eu não habito os jardins do teu silêncio 
Porque tu és de todos os ausentes o ausente 






 Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 17 de maio de 2016




Tudo o que em mim vive 
traz dentro uma faca 
o teu amor em mim
 que por dentro me corta 






 Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 1 de setembro de 2015




Outros amarão as coisas que eu amei






 Sophia de Mello Breyner Andresen
 (Foto de Nishe)

sábado, 7 de março de 2015




Mais do que tudo, odeio 
Tantas noites em flor da Primavera, 
Transbordantes de apelos e de espera, 
Mas donde nunca nada veio. 





 Sophia de Mello Breyner Andresen
 (Foto de Nishe)

domingo, 16 de novembro de 2014

Mar de novembro




Quando eu morrer voltarei para buscar
 Os instantes que não vivi junto do mar 





 Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Labirinto



Sozinha caminhei no labirinto 
Aproximei meu rosto do silêncio e da treva 
Para buscar a luz dum dia limpo






Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 27 de outubro de 2014




Ia e vinha
 E a cada coisa perguntava
 Que nome tinha 





 Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

E trazem a poesia nos dedos



Há mulheres que trazem o mar nos olhos 
Não pela cor 
Mas pela vastidão da alma
 E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos 
Ficam para além do tempo
 Como se a maré nunca as levasse 
Da praia onde foram felizes
 Há mulheres que trazem o mar nos olhos 
pela grandeza da imensidão da alma 
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens
 Há mulheres que são maré em noites de tardes
 e calma. 





 Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

As mãos


Côncavas de ter
Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e não prender.




Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Boa noite


Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres








Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 13 de março de 2013

Não vem


E às vezes, o silêncio estremece
como se fosse a hora de passar alguém
que só hoje não vem.
 




Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Vinte cinco


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo










Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Solidão





Cortaram os trigos.
Agora a minha solidão vê-se melhor





Sophia de Mello Breyner Andresen


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ir embora





A hora da partida soa quando

escurece o jardim e o vento passa,

estala o chão e as portas batem...











Sophia de Mello Breyner A.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Esperas

No ponto onde o silencio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
tão nítido e preciso era o vazio.











Sophia de Mello Breyner Andresen