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terça-feira, 11 de agosto de 2020

blues



já ninguém morre de amor, eu uma vez
 andei lá perto, estive mesmo quase 





 Vasco Graça Moura

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Talvez



Talvez digas um dia o que me queres,  
Talvez não queiras afinal dizê-lo, 
Talvez passes a mão no meu cabelo, 
Talvez eu pense em ti talvez me esperes. 
Talvez, sendo isto assim, fosse melhor 
Falhar-se o nosso encontro por um triz 
Talvez não me afagasses como eu quis, 
Talvez não nos soubéssemos de cor. 





Vasco Graça Moura

domingo, 27 de abril de 2014

Os olhos rasos de água e solidão


estava nua, só um colar lhe dava 
horizontes de incêndio sobre o peito, 
a transmutar, num halo insatisfeito,
 a rosa de rubis em quente lava. 
 estava nua e branca num estreito 
lençol que o fim do sono desdobrava 
e a noite era mais livre e a lua escrava
 e o mais breve pretérito imperfeito. 
 só o tempo verbal lhe fugiria, 
no alongar dos gestos e requebros, 
junto do espelho quando as aves vão.
 toda a nudez, toda a melancolia, 
a dor do mundo, a deslembrança, a febre,
 os olhos rasos de água e solidão. 




 Vasco Graça Moura

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Apostei a alma e o coração


Vou sempre a jogo quando me convidas
E apenas sei que perco sempre a mão...



Vasco Graça Moura