terça-feira, 23 de novembro de 2021

estou às escuras




As memórias são facturas em teu nome 
 sei que o adeus tem os seus rituais e o teu 
 é deixar-me vazia a despensa dos sonhos

 às vezes pergunto o que fizemos mal 
 vou enviar-te flores todos os outonos podes vir 
 pelas facturas pelo menos as da luz

estou às escuras por causa dos teus rituais 






 Pablo García Casado
 (Foto de Laura Makabresku)

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

morangos silvestres




Cóleos begónias avencas 
 aprendo o nome das plantas 
 e de manhã como fruta
 (não era o que tu dizias?) 
 antes de tomar café.

 Mas a seguir ao café 
 sobra-me um dia comprido. 
 Não sei que fazer sem ti
(não há morangos silvestres) 

 não sei que fazer comigo






 Ivette Centeno
 (Foto de Laura Makabresku)

terça-feira, 16 de novembro de 2021

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

dias frios

Um dia disse: estou farto de poemas. Ninguém o levou muito a sério. 
 Tinha começado o Inverno, tinham chegado os primeiros dias frios, a lareira acesa. 






 José Carlos Barros

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

espanto



 

não passas
 de um sono profundo
 mas és a razão de ser 
da minha vigília
 o artífice do sonho
 o que agita as águas
 onde me banho
 a luz que ilumina
 aposentos vazios
 e os mobila de esplendor 
e de espanto
 tenho medo do vazio 
da tua definitiva ausência 







 Manuel Afonso Costa

domingo, 31 de outubro de 2021

um verso



 

Frase a frase construí um palácio
 para o meu segundo amor 
entre as rimas de um soneto
 um retrato a branco e preto
 que nos julgava mortais
 amei-o mais
 que a dor

 O príncipe chegou
 e quando pressentiu
 que eu talvez fosse um verso 
fugiu 






 Jorge Palma 
(Foto de Rudolf Bonvie)