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terça-feira, 25 de julho de 2023

quinta-feira, 28 de março de 2013

Dias assim


Adivinhamos inquietos os olhos
e o poema dos dois corpos.
A nossa vida tem sido um passar
  sem pedir licença.
  Um dia e outro dia depois,
como quem adestra relâmpagos



Eduardo Pitta

( Foto de   Robert-and-Shana-ParkeHarrison ) 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ardis


Nenhum de nós passeia impune
pelos retratos: fazem-nos doer
os recessos da memória.
Deles saltam, por vezes, sustos,
primeiras noites, secreta
loucura, lábios que foram.
Interditam-nos sempre.
Trepam-nos pelo torpor
mais desprevenido, subsistem.
A sua perenidade é volátil
e cheia de venenosos ardis.
Um sopro no acetato.
Distintos, os seus contornos
não são nunca
os que supomos.


Eduardo Pitta

quarta-feira, 23 de março de 2011

É inutil




Inútil dizer-te
da cidade
que vou perdendo.

Cada uma destas pedras
me diz
da distância entre nós dois.
Permaneço
(todo silêncio
e portas)

Eduardo Pitta