Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus
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domingo, 25 de agosto de 2019
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
quinta-feira, 19 de julho de 2018
domingo, 17 de junho de 2018
sexta-feira, 15 de junho de 2018
domingo, 8 de abril de 2018
terça-feira, 2 de maio de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
sábado, 12 de novembro de 2016
sexta-feira, 22 de julho de 2016
quarta-feira, 1 de junho de 2016
quarta-feira, 9 de março de 2016
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Havia uma cidade em espanto linear a cavalo noutra cidade em geometria ambígua, um jardim era metade do outro, em que as pétalas andavam para trás e para diante, com o perfume trocado e o silêncio das cores tremendo no seu erro cheio de alvoroço florido, os arquitectos disseram: é preciso um novo espaço para estas duas pessoas que estão a pensar tanto com o corpo – e numa casa abria-se a porta que vigiava os corredores onde o pólen se acendia e dançava, e de repente a porta descerrava o espectáculo antigo do nascimento da lua num quarto escuro, via-se o que a lua sempre fez para trepar do soalho para o tecto pelas paredes docemente retardadas, era o tempo da seda entre os nossos vinte dedos embrulhados, e alguém escrevia à máquina num dos planos de intersecção urbana, e a frase escrita aparecia com o seu rumor externo noutro sítio, mas agora via-se no meio de uma clareira de silêncio vivo, e ia-se apreendendo a nossa mútua nudez colocada no sentido da frase, nós éramos essa cidade tremendamente posta em uso, em toda a parte estavam mãos em vez de garfos e lâmpadas, e a frase era assim: o amor, as mãos ininterruptas.
Herberto Helder
quarta-feira, 25 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
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