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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

quinta-feira, 19 de julho de 2018

terça-feira, 2 de maio de 2017




Por mim, é por isso que oculto as mãos. 
Tenho-as todas queimadas








 Herberto Helder
 (Foto de Anka Zhuravleva)

segunda-feira, 20 de março de 2017




Há lugares onde esperar a primavera
 como tendo na alma o corpo todo nu. 








 Herberto Helder
 (Foto de Nishe)

sábado, 12 de novembro de 2016




vou ali e já não venho, aproveito a distração de todos 
a minha e a dos outros, e vou-me embora 
sob inúmeras atmosferas, 
dizendo um a um os nomes
 que soam a estrangeiro,
 e a nativo só quando os amor os enflora, 
mas nunca o amor tem a pronúncia que se espera. 







 Herberto Helder

sexta-feira, 22 de julho de 2016




Casas são rosas 
para cheirar muito cedo, ou à noite, quando a esperança
 nos abandona para sempre. 






Herberto Helder
 (Foto de Nishe)

sábado, 25 de junho de 2016




Cose-te: brilhas 
 nas cicatrizes 






 Herberto Helder
 (Foto de Laura Makabresku)

quarta-feira, 1 de junho de 2016




ao meio da noite às vezes desamparadamente
 acordas, não acordas: 
tão distante do mundo que o não tocas, 
tão distante do socorro do mundo que não existe ninguém em 
quem toques 






 Herberto Helder (Letra Aberta)
 (Foto de René Groebli)

quarta-feira, 9 de março de 2016




Nos dias nevoentos fecho as janelas, acendo a luz forte e deito-me no tapete. Leio ou penso. 
 Ou então fumo, enquanto as camadas de silêncio se sobrepõem, 
 e as mais pesadas descem e as mais leves se tornam pesadas, até ser impossível destruir o silêncio. 






 Herberto Helder

sexta-feira, 12 de junho de 2015




Havia uma cidade em espanto linear a cavalo noutra cidade em geometria ambígua, um jardim era metade do outro, em que as pétalas andavam para trás e para diante, com o perfume trocado e o silêncio das cores tremendo no seu erro cheio de alvoroço florido, os arquitectos disseram: é preciso um novo espaço para estas duas pessoas que estão a pensar tanto com o corpo – e numa casa abria-se a porta que vigiava os corredores onde o pólen se acendia e dançava, e de repente a porta descerrava o espectáculo antigo do nascimento da lua num quarto escuro, via-se o que a lua sempre fez para trepar do soalho para o tecto pelas paredes docemente retardadas, era o tempo da seda entre os nossos vinte dedos embrulhados, e alguém escrevia à máquina num dos planos de intersecção urbana, e a frase escrita aparecia com o seu rumor externo noutro sítio, mas agora via-se no meio de uma clareira de silêncio vivo, e ia-se apreendendo a nossa mútua nudez colocada no sentido da frase, nós éramos essa cidade tremendamente posta em uso, em toda a parte estavam mãos em vez de garfos e lâmpadas, e a frase era assim: o amor, as mãos ininterruptas. 





 Herberto Helder

quarta-feira, 25 de março de 2015




Pedem tanto a quem ama: 
pedem o amor.
 Ainda pedem a solidão e a loucura





 Herberto Helder
 (Foto de Natalia Drepina)