Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024
terça-feira, 14 de novembro de 2023
eu
Uma estação sem ninguém no
cais,
um banco na avenida e ninguém
por perto,
um armazém abandonado,
um autocarro vazio,
um jardim solitário,
um comboio sem luzes,
a madrugada,
um buraco.
Eu
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
de manhã
Quando as luzes
não vibrarem na pele
quem colará às tuas ancas
as suas mãos quem
percorrerá
com vastas palavras
o que pertence
agora aos beijos
quando acordar
deste paraíso nocturno
e te abandonar quem
quem será
a tua companhia.
José Ángel Cilleruelo
(Trad Joaquim Manuel Magalhães)
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Entraste na noite
pelo lado da solidão.
A ela contas que sais com eles
a eles que sais com ela.
Encaminhas o velho Renault 4
para certo lugar desabitado
da cidade.
Fizeste entrar um corpo,
acenderam um cigarro enquanto
procuras um retiro pelas sombras.
Silencias a sua voz quando quer falar-te,
com um gesto decides
forma de desejo.
Entraste num corpo
pelo lado da solidão.
Por um instante sentiste-te bem
mas não o dizes,
embora não consigas reprimir
uma carícia no vidro embaciado.
Atrás da porta que fechou deixa-te
um rastro de perfume ignóbil
que aspiras com deleite:
como o símbolo o queres
para quando queimar a claridade
da manhã.
José Ángel Cilleruelo
(tradução de Joaquim Manuel Magalhães)
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