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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

último aviso



caso alguma coisa me acontecer, 
informem a família, foi assim, assim tinha que ser
 tinha que ser dor e dor esse processo de crescer
 tinha que vir dobrado esse medo de não ser
 tinha que ser mistério esse meu modo de desaparecer
 um poema, por exemplo, 
caso alguma coisa me suceder, 
vá que seja um indício 
quem sabe ainda não acabei de escrever 






 Paulo Leminski
 (Foto de Cristina Coral)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

luz



Achar
 a porta que esqueceram de fechar. 
O beco com saída. 
A porta sem chave.
 A vida 








Paulo Leminski
(Foto de Ezgi Polat)

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

sim



Serei teu rei  teu pão  tua coisa  tua rocha
 Sim, eu estarei aqui 






 Paulo Leminski

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

terça-feira, 1 de novembro de 2016




debruçado num buraco
 vendo o vazio
 ir e vir 







 Paulo Leminski

sábado, 3 de setembro de 2016

cai sete vezes




minha primeira queda
 não abriu o para-quedas

daí passei feito uma pedra
 pra minha segunda queda 

da segunda à terceira queda
 foi um pulo que é uma seda 

nisso uma quinta queda
 pega a quarta e arremeda

na sexta continuei caindo 
agora com licença
 mais um abismo vem vindo 







 Paulo Leminski

sábado, 14 de fevereiro de 2015




O amor, esse sufoco, agora a pouco era muito,
 agora, apenas um sopro




 Paulo Leminski

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Morrer de vez em quando


Já me matei faz muito tempo
 me matei quando o tempo era escasso
 e o que havia entre o tempo e o espaço
 era o de sempre
 nunca mesmo o sempre passo
 morrer faz bem à vista e ao baço
 melhora o ritmo do pulso
 e clareia a alma

 morrer de vez em quando
 é a única coisa que me acalma. 





 Paulo Leminski
 (Foto de Laura Makabresku)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Frágil



coração 
PRA CIMA
 escrito embaixo 
FRÁGIL 





 Paulo Leminski

domingo, 23 de março de 2014

O tempo sobre a pele


este dia
este perverso dia
 que veio depois de ontem 





 Paulo Leminski

terça-feira, 11 de março de 2014

Por nada


Escrevo. E pronto.
 Escrevo porque preciso,
 preciso porque estou tonto.
 Ninguém tem nada com isso.
 Escrevo porque amanhece,
 E as estrelas lá no céu
 Lembram letras no papel,
 Quando o poema me anoitece. 
A aranha tece teias. 
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas. 
Tem que ter por quê? 





 Paulo Leminski

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Quarentena


Fechamos o corpo
como quem fecha um livro
por já sabê-lo de cor....




Paulo Leminski