Mostrar mensagens com a etiqueta Raul Brandão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Raul Brandão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

entre o nada e o nada



Olhava este momento que ia desaparecer, com saudade – porque nunca mais se repetiria no mundo. Nunca mais outro segundo igual nem na luz, nem na vibração, nem na ternura O momento em que me sorriste, baloiçado entre o nada e o nada, nunca mais se voltaria a repetir, idêntico e completo, em todos os séculos a vir! Estava ali a morte está aqui a vida. Agora pergunto a mim mesmo se te deixo morrer; e a pergunta obsidia-me e exige resposta imediata. Sei tudo, tudo o que me podes dizer – já eu o disse a mim próprio. Até hoje falava a alguma coisa que me ouvia, hoje só interrogo a mudez, só a mim próprio me interrogo 







 Raul Brandão

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016




Há que tempos que deitamos flor pelo lado de dentro






(Foto de Laura Makabresku)

sábado, 3 de janeiro de 2015





para não morrer de espanto, para poder com isto, para não ficar só e doido, é que inventei a insignificância, as palavras 






 Raul Brandão
 (Foto de Nishe)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Tu não existes


Às vezes, nos momentos trágicos, já não é contigo que eu deparo - é com outro ser que assiste sempre, como um espectador, a todos os meus exageros.
 Deitavas-te comigo, levantavas-te comigo, ferrada como um punhal - e não existias. 
Neguei-te. Expliquei-te. Reduzi-te às tuas verdadeiras proporções - e tu não existias! Atormentaste-me e fizeste-me sofrer mesmo quando já compreendera que não existias. 
E agora mesmo, quando o universo é outro universo, ainda encarniças sobre em mim como um fantasma. 
 Escusas de te rir - tu não existes. 




 Raul Brandão