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sexta-feira, 12 de abril de 2019

a queda



Je suis tombée 
amoreuse, foi o seu
 primeiro encontro
 com o chão.  

Dessa vez partiu 
em cacos o coração. 
Os ossos só mais tarde, 
um por um, 
contra a terra. 

 C'est fou la vie, 
essa derrocada
 a que apenas resistem
 memória e pássaro, 
em voo picado. 






 Renata Correia Botelho

sexta-feira, 28 de agosto de 2015




és a hora 
 em que vejo chegar o lobo
 pensando que é cão de guarda.






 Renata Correia Botelho
 (Foto de Laura Makabresku)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015




O coração que me deixaste é uma casa difícil de habitar





 Renata Correia Botelho
 (Foto de Laura Makabresku)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Versos afiados contra os dedos



o vento agita as sombras 
na minha mão, lança-me 
vultos, um nome em chamas, versos 
afiados contra os dedos. 
 sempre pressenti a distância mínima
 entre o poema e o medo 
de não saber regressar a casa. 





Renata Correia Botelho

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

E outros erros


era uma noite branca com um rio
dentro, ali afundámos os dias
contados, as roseiras do jardim,
duas ou três horas felizes
e outros erros.
 
trocávamos tudo por um sopro de outono.




Renata Correia Botelho

domingo, 10 de junho de 2012

Dentro de nós


Apaga a luz quando entrares e
vem ver se em mim
ainda se cheira o mar,
rossio sagrado
onde as fadas tecem as tuas mãos
lacra com o teu corpo
esta ferida aberta, frágil trincheira
que transpões, como o primeiro canto
descortina as trevas
repara que dentro de nós já é manhã.


Renata Correia Botelho

sábado, 27 de agosto de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ao longe

Quando ao longe a tua voz me acena, e a fúria do dia que nos pesa se faz manhã clara, reinvento todas as rimas da primavera.





Renata Correia Botelho

sábado, 19 de março de 2011

Dias Assim




Um seixo em cada mão e o mar
às costas.
A tua ausência será

um calendário de pedras

Renata Correia Botelho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sinal vermelho


É sempre a mesma curva cega, neste troço de pedra lascada,
não há como escapar às primeiras chuvas
ao piso escorregadio dos olhos,
despiste, falésia mortal,
o coração não entende sinais vermelhos





Renata Correia Botelho

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

És



És o dia do pêndulo, o instante
rasurado, és a hora
em que vejo chegar o lobo
pensando que é cão de guarda.
Renata Correia Botelho

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Noites perdidas

Encosto a face à parede mais triste do quarto,
fiel guardiã do sol posto.
O coração que me deixaste é uma casa difícil de habitar.







Renata Correia Botelho