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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

azul



e a minha mão
 desceu o teu rosto 
num movimento
 de coisa que parte
 e tu disseste: 
porque é que as mãos 
dos que amámos
 nos acenam vazias? 
mas não
 na minha mão
 havia uma lágrima enorme
 e azul
 que tu
 já não sabias ver.







 Gil T. Sousa

quarta-feira, 8 de abril de 2020

vives-me nas mãos





"todas as noites não saber 
 em que hora parar
 em que degrau de sombra
 largar o recado para o nada 
que nos queima as mãos" 





segunda-feira, 10 de outubro de 2016




não te esqueças de me visitar. traz-me as fotografias de Veneza e aquele poema que me escreveste quando o nosso amor ainda era o que de mais magnífico acontecera nas nossas vidas e no mundo. 

havemos de nos sentar nas mesmas cadeiras como se fossem as mesmas manhãs de sábado. havemos de olhar os mesmos telhados, divagar sobre a eternidade dos gestos e jurar comovidamente que as nossas almas se tocaram de uma maneira única e inesquecível. 

eu hei-de esconder-te a minha interminável solidão e tu hás-de demonstrar-me, muito inocentemente, nas tuas palavras tão cheias de vida e de juventude, como a morte nos descobre mesmo nos lugares mais altos. 






 gil t. sousa
(Foto Veneza Abril 2011)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Longa e lenta


quero levar-te nas mãos
coisas que nunca vi
quero cegar
e com a loucura
dos dias iguais
erguer
a muralha das horas
longa
como o longo beijo da noite
lenta
como o lento vermelho das rosas



gil t. sousa

domingo, 4 de novembro de 2012

Tu


E tu,
sempre tu
num prodígio de luz
a enlouquecer-me
as sombras


gil t. sousa,

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Manhãs de sábado


Nunca sobrava uma sílaba.

Ternamente poderosos, revíamos o mundo do mais alto lugar.

Nas manhãs frias de sábado, a noite ainda na pele.




Gil. T. Sousa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dias Assim


Todos os relógios estavam do teu lado
eu só tinha a minha torre de espelhos
só tinha a noite e o silêncio
e nenhuma escada

sábado, 7 de agosto de 2010

Segredo



Diz-me um segredo qualquer coisa inacessível dessa tua alma

alguma coisa que eu possa ainda fingir que não sei

gil t. sousa

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Noites assim

Fora do tempo
é mais longe do que qualquer espelho...
quando a noite me atormentava
de não chegares
quando a madrugada
me matava de partires


gil t. sousa

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dias assim


De ti
receberia o chão que me faltava
e dava-te,
punha-te janelas no coração...


quinta-feira, 11 de março de 2010

Tudo a arder


O soar
da última neve
aos pés
da rainha negra
retratos
são pedaços de abismo
ou restos de chão firme
já não há mais nada
nem nos livros
nem nas horas
nem nas vozes
está tudo a arder
como se mais nenhuma paisagem
coubesse na varanda dos meus olhos


gil t. sousa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Guardo-te


"E vinha a luz
e guardava-te
e eu guardava-te
também
em lugares mais seguros
que fotografias
ou poemas."

Gil T. Sousa

quarta-feira, 29 de julho de 2009