terça-feira, 17 de julho de 2012

Viagens secretas


Sempre coleccionei mapas, quer dizer, colecciono mapas há muito tempo, centenas de mapas em minha casa, usados, imaculados, tanto faz, nos mapas escolho os caminhos sem medo, dou voltas e voltas aos meus mundos de papel, vou a todos os lugares, sítios a que não associo uma paisagem, uma cara, uma flor, nada, terras que só existem para cumprirem o meu desejo de partir nas tardes de muito calor, estendo os mapas no chão do meu quarto, não quero saber nada sobre o mundo, nunca quis, nas tardes de muito calor passo tardes inteiras de verão a viajar


Dulce Maria Cardoso

sábado, 14 de julho de 2012

Bom dia


Toda vez que amanheço de porre, sem ter bebido, é prenuncio de tempestades. Os calos não doem com a mudança do tempo, mas meu coração dispara e o olfato fica mais aguçado que faro de perdigueiro. Nestas horas, não adianta ninguém me dizer que "viver é experimentar", porque o máximo que eu consigo é avaliar as avarias causadas pelos arpões


Leila Míccolis

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Fica



Tu dizias
eu sou o homem que queria ser o teu chão
Depois abrias as asas e voavas

Manuel Cintra (sub.a itálico)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estou de árvore________


não estou nada. nem cansada nem lúcida nem mátrea nem flor nem
ponte nem asa nem dia nem rasgo. nada. volume esquadro seta folha
lume esquadria em falso telhado de pétalas que o vento esmaga. nem
abraço nem água. estou. de árvore.


Isabel Mendes Ferreira in "As Lágrimas Estão todas na Garganta do Mar"