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terça-feira, 21 de agosto de 2018

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para um ponto final falta apenas rasgar-te as
 cartas e os enganos







 Isabel Maria Mendes Ferreira

sexta-feira, 25 de julho de 2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

Geografia íntima




respiro-te devagar
 tenho medo da memória
 da música e da inclinação da garganta

suspensos os dedos 
curvos os beijos
 o teu peito podia ser um navio




 Isabel Mendes Ferreira

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O corpo atento


A tarde avança em lençóis de fumo
  e tu não bates à minha porta.
Enrolo um cigarro de lume para acabar com a dor.
Tenho os ouvidos lá fora e o corpo atento
O meu coração é um bandido sem navio nem marés
Perdidos os mastros não sabe gritar.
Por isso sou apenas um retrato
Sem perfil nem disfarce.
A tarde é uma égua e a tua demora uma navalha.




Isabel Mendes Ferreira

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estou de árvore________


não estou nada. nem cansada nem lúcida nem mátrea nem flor nem
ponte nem asa nem dia nem rasgo. nada. volume esquadro seta folha
lume esquadria em falso telhado de pétalas que o vento esmaga. nem
abraço nem água. estou. de árvore.


Isabel Mendes Ferreira in "As Lágrimas Estão todas na Garganta do Mar"

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A noite


vesti-me de nudez e dei-te o flanco as costas a pele roubei-te o livro onde inventavas memórias trouxe-te suspenso e quando a noite amanheceu nos teus cabelos naveguei-me.com a força do gesto fundo. naufraguei-te. indesejado mel. clandestino e réu


Isabel Mendes Ferreira

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Estranha gramática


O corpo tem uma gramática feita de caos e de silêncios. amargos cálices que se partem em parágrafos ora lentos ora curvos agudos e de espólios em parêntesis que se dobram em verbos de vingança e em apelos aos mortos. são nervos e são maiúsculos. são segundos e são sintaxes na densa caligrafia de um xeque-mate à memória do tempo. o corpo é sempre o espelho. o ecrã tamanho de um dedo e uma espada prévia a ser agravo. antes que se feche a concha antecipo-te a pérola. concebido o oposto o convulso escreve-se exclamante em vez de virgula. honra seja feita à poalha dos pretextos. irrefragável. que por menos já se é destino.


Isabel Mendes Ferreira

domingo, 13 de maio de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

E eu volte


talvez esmague buganvílias e cerre as pálpebras. talvez encha de
amoras o seio da tarde e finja ser pirata nas tuas mãos. talvez.
- talvez volte de azul ou de noite ou de branco. talvez de abismo
líquido e profundo no retorno das giestas sem flor e dos vales oblíquos.
talvez dos cheiros da montanha a cavalgar a face oculta da lua
e das areias. talvez a respiração ampla e gráfica das tuas mãos nos
meus ombros.
modulação sensível da neve e das fontes. os teus olhos. talvez volte.
talvez venha de aloendro.


Isabel Mendes Ferreira (As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar )

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dias Assim





O absurdo como silêncio
a escrita como sangue
a vida como recurso
a fala o sentido o corpo lá fora
o universo dos gestos subtraídos ao fogo.
a tentativa de nomear só o essencial.
um grito errante.
sobre a tua pele.
E os teus olhos.

O meu sal.




Isabel Mendes Ferreira





quarta-feira, 30 de março de 2011

Demoras

... a última vez que te vi partias.

como sempre...

... tomaste o caminho do vento e por lá te demoras...

Isabel Mendes Ferreira

sábado, 4 de dezembro de 2010

Viagens secretas


Da viagem secreta ao fundo do coração trouxe um sono vertiginosamente profundo. a água e o ópio a ausência e o ritual a epígrafe e o punhal a prece e a pressa de partir. amadureço este inverno que é segredo. e o óbvio é uma oração em rodapé





Isabel Mendes Ferreira

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O meu sul

Se o pulmão fora pétala e a rosa um campo minado e a casa o coração da música serias tu o meu sul na volátil geografia do caminho certo.se nada nos distraísse da miséria e das patas sobre o corpo e dos segredos irredutíveis numa página de temperatura gelada serias o meu sentido único sobre as cinzas.




Isabel Mendes Ferreira