sábado, 21 de fevereiro de 2015




Até quando no túnel sem saída, 
no bosque feito de espinhos, no poço? 
Até quando instalada na esperança 
dos que nada esperam? 
Até quando perdida em labirintos, 
em cidades sem luz, em pesadelos 
que não terminam quando acaba o sonho? 
Até quando engolindo
 névoas espessas, desconcerto, vertigem? 
Até quando sem ti? 
Até quando com outros?





 Amalia Bautista
(Foto de Nishe)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015




porque no meu jardim só crescem rosas de pedra




 (há muito tempo que não comprava um livro)



Se não lhe faltasse
 o sentido de orientação 
era uma ave o amor





 José Carlos Barros

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015




Há dias em que desejaríamos amar quem quer que fosse desde que igual ou só parecido com tantos outros e, desde logo, com nós próprios, alguém que nunca compreenderemos. Dias de puro terror em que não apenas não acontece nada como 

 Dias há em que os próprios dias acontecem. Ou nem isso. Tempo não chegando a ser dia, morto ainda antes de nascer 

 Puro terror. Dias em que desejaríamos qualquer mão e qualquer uma nos assusta como se nos arrastasse para o nada, onde, paradoxalmente, sabemos que poderíamos encontrar descanso. Uma teimosia irracional impede-nos de

 Porque não sabemos mais se avançar, se recusar, se baixar os braços, ou só um e qual, se levantá-los, um só?, mas qual. Permanecemos sentados à espera duma resolução que não chega, mas quando chega, e sabemos que basta esperar, é tão irrisória como qualquer outra, beber um copo de água, comer um pão com geleia, admirar o doce da geleia na língua e saborear a sua cor tão parecida como a do sangue. 





 Bénédicte Houart
 (Foto de Natalia Drepina)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015




O coração que me deixaste é uma casa difícil de habitar





 Renata Correia Botelho
 (Foto de Laura Makabresku)

domingo, 15 de fevereiro de 2015




Havia um sonho. Havia uma
 esperança. Havia. Havia. 
Mas o sonho também cansa 
e a esperança está vazia. 

 Havia um sonho e uma esperança 
Pois havia. 





 Joaquim Pessoa
 (Foto de Natalia Drepina)