Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
sábado, 26 de maio de 2012
Toca-me
Não digas o meu nome.
Toca-me com a doçura do arco
e diz: "tu" ou
"estás aqui".
São palavras voadoras
que nunca falham o alvo.
Rosa Alice Branco
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Essa mulher
Amanhã vou pintar o cabelo, decide. porque no amanhã de certos dias pinta sempre o cabelo ou compra um bâton diferente, mais claro, mais escuro, incolor, pinta os olhos ou ignora-os, usa ou não óculos escuros. há ocasiões em que a encontram, hesitam, será ela?, devem pensar. “meu deus, estás diferente, que te aconteceu, mulher?” apetece-lhe responder que morreu e ressuscitou, que estava na idade dos peixes e houve um cataclismo e se encontra agora na dos lagartos, mas ninguém iria compreender as suas palavras. nem ela própria. porque além da cor do cabelo, ou do lápis com que pintou os olhos, tudo está absolutamente igual.
Maria Judite de Carvalho
quarta-feira, 23 de maio de 2012
A noite
vesti-me de nudez e dei-te o flanco as costas a pele roubei-te o livro
onde inventavas memórias trouxe-te suspenso e quando a noite
amanheceu nos teus cabelos naveguei-me.com a força do gesto fundo.
naufraguei-te. indesejado mel. clandestino e réu
Isabel Mendes Ferreira
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