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domingo, 4 de junho de 2017

não acredito em regressos




Não creio em retornos
 mas este amargo coração de casas velhas e ruas esburacadas
 late em cada regresso
 sem mais aquelas 
sabendo que o mundo é mau sítio para chegar 

 E volta-se a escrever um poema sobre uma rapariga num aeroporto 
esperando um avião sabe-se lá donde
 ou então escrever sobre a carta que não recebi naquele sábado
 escutando a velha cassete das minhas nostalgias favoritas
 ou ainda sobre os versos roubados a Salinas, Borges, Walcott
 e as tardes de sol no estádio de futebol

 Não acredito em regressos 
mas este seco coração de outra era canta a destempo 
o céu queimando o nome de uma mulher que amei 

 Não creio em retornos 
mas sempre que parto para a tempestade do mundo
 a minha vocação de viajante leva-me, como nos tempos de escuteiro, 
 a deixar pedrinhas e migas de pão
 para não perder o caminho de regresso ao teu corpo.







 Federico Díaz-Granados
 (Trad Albino Matos)

sábado, 13 de setembro de 2014

Onde é sempre noite



Nunca conheci os meus inquilinos da vida
Não sei quando saem, nem quando entram, 
em que estação ignota descansam de suas misérias. 
As mulheres têm saído deste corpo a bater com as portas 
queixando-se da minha tristeza, 
mas já se têm queixado da humidade, 
de muito frio, até de mofo na dispensa. 
 Vão-se sempre sem pagar os inquilinos da minha vida 
e o pátio fica novamente vazio. 
Meu coração deixa de ser albergue de famintos
 para acolher os pássaros todos que arribam no verão 
e esperam que voltes pelas tuas coisas
 a este hotel de passagem em que é sempre noite. 





 Federico Díaz-Granados