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terça-feira, 5 de novembro de 2019

quem nos reclama?



De pouco servimos. Caímos e decaímos, pintamos de branco os muros do sono,
 regressamos sempre à mesma hora às agruras de uma casa,
 solitários como as águias e os fantasmas no interior de si mesmos. 
Quem nos quer? Quem nos reclama? 
Talvez seja melhor assim. Andamos de aqui para ali, 
subimos e descemos, arrancamos as urtigas, 
assustamos as rãs, deixamos que o vento leve
 os gemidos do nosso outono. 






 José Agostinho Baptista

sábado, 6 de janeiro de 2018

terça-feira, 20 de junho de 2017




Subitamente, é demasiado tarde






 José Agostinho Baptista
 (Foto de Nishe)

quinta-feira, 13 de abril de 2017




Deixo-vos as maçãs verdes sobre a mesa. 
Com o tempo, tudo há-de amadurecer. 






José Agostinho Baptista

segunda-feira, 31 de agosto de 2015




Uma noite, 
 quando o mundo já era muito triste, 
 veio um pássaro da chuva e entrou no teu peito, 
 e aí, como um queixume, 
 ouviu-se essa voz de dor que já era a tua voz, 
 como um metal fino, 
 uma lâmina no coração dos pássaros. 
 Agora, 
 nem o vento move as cortinas desta casa. 
 O silêncio é como uma pedra imensa, 
 encostada à garganta. 






 José Agostinho Baptista

quarta-feira, 15 de julho de 2015




Eu podia ter-te amado com outras palavras, 
 com outro timbre de cristal. 
Mas ocultei a ternura nos bosques que se 
fecham sobre o coração. 
Morei no silêncio; apaguei as claras fontes 
de uma torturada voz. 
E o brilho da faca,
 o seu metal de esplendoroso alcance,
 encontrou o pulso e moveu-se, 
docemente






 José Agostinho Baptista
 (Foto de Laura Makabresku)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Fogo posto


Queima tudo, incendeia-me mais.
  Beija os vastos desertos da minha combustão.
Não digas nada.
Ao crepúsculo, conduz-me ao redil,
faz soar os guizos,
  canta junto ao moinho de vento.




José Agostinho Baptista
(Foto de Graça Loureiro)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dias Assim




Doce e cruel é setembro.

Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.


José Agostinho Baptista

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Eu sei





Eu não sei se estiveste ausente.
Eu deito-me contigo e levanto-me contigo.
Nos meus sonhos tu estás junto a mim.
Se estremecem os brincos nas minhas orelhas
Eu sei que és tu que te moves no meu coração


José Agostinho Baptista

domingo, 5 de dezembro de 2010

Promessas


Eu toco-me e pronuncio o teu nome
e enquanto ardo prometes sempre que voltas.
Não tenho a certeza, meu amor.
O mundo é um animal ofegante cujo hálito contém a perdição das rosas.





José Agostinho Baptista

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Hoje


Assim é a minha vida
Hoje, só os desertos me conhecem.
Nada mais

Jose Agostinho Baptista

sábado, 23 de outubro de 2010

Outono



Folheia-me como a uma árvore de folhas soltas,
se é outono






Jose Agostinho Baptista

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dias assim


Tenho medo de saber como serão as horas de uma casa, vazia para sempre, depois de ti.




José Agostinho Baptista

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Assim




Só quem ama pode
acabar assim,
cheio de um riso louco



Jose Agostinho Baptista