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quinta-feira, 11 de maio de 2023

respirar fundo



 

Não sei a cor dos teus olhos, o som da tua voz, o toque da tua pele. 
 Não conheço a tua idade, o lugar onde vives, de que te alimentas. 
 Não posso adivinhar quem amas ou amaste, se sofres de alguma irrecuperável doença, 
 quais as paisagens que preferes, que música ouves. 
Sei que espero todos os dias uma ou duas frases que me permitam
continuar a respirar neste mundo.







 Pedro Paixão

sexta-feira, 14 de abril de 2023

não quero saber




Apago todas as mensagens. Menos as tuas. 
Guardo a tua voz em pequenas doses e, 
dia sim dia não, ouço-as todas de seguida. 
Sinto-me demasiado incapaz para falar contigo o que quer que seja. 
Não sei onde estás. 
Não quero saber. 
Tenho medo de saber mais do que sei. 






 Pedro Paixão

quinta-feira, 29 de abril de 2021

tanto faz



 

Vens-me buscar?
 - Vou. Mas onde?
 - Tanto faz, desde 
 que me venhas buscar.





 Pedro Paixão

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Viver todos os dias cansa



 Bem que podíamos morrer
 um bocadinho de vez em quando, num sitio sem portas
 nem janelas, sem telefones, campainhas, carros, motos,
 autocarros num sitio sem nada e principalmente sem ninguém. 
Enrolarmo-nos no mais fundo de nós próprios, como se voltássemos ao ventre materno, 
e deixarmo-nos morrer assim um bocadinho. 
Sim, porque viver cansa e não é pouco 





Pedro Paixão
 (Foto de Cristina Coral)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

eu não sei onde




Coisas que não passam. 
 Há quem diga que dentro da cabeça, eu não sei onde. 
Coisas que de vez em quando voltam e por isso, só por isso, 
se sabe que não passam. Coisas que nos agarram por
 detrás da nuca, frente a um espelho, sem qualquer propósito, 
e só nos deixam sem querermos. Pequenos rogos, doces chamamentos, 
partidas muitas, asperezas, ciúmes, vícios, abraços ternos,
 despedidas, raivas, tédios, pequenos espantos, sobressaltos. 
Coisas que não passam, há quem diga que dentro da cabeça. 
Eu não sei onde 






 Pedro Paixão

terça-feira, 27 de setembro de 2016

domingo, 6 de março de 2016





Agora de ti não sei nada. Não desejo saber nada. 
Basta-me lembrar-te como quem recorda uma música e com ela
 chegam coisas cravadas de um outro mundo 


 Pedro Paixão





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Quase


Quase, é uma palavra notável. Todas as pessoas deviam ter por nome próprio quase. Eu sou quase, tu és quase, ele é quase, nós somos quase. Quase qualquer coisa que não chega a ser quase. Uma equação quase perfeita. Um número quase redondo que só existe dentro das nossas cabeças ligadas por fios primorosos. Fios de aço que amarram a loucura e a mantêm obediente. Não pretendas ser mais. As lágrimas que te escorrem pela cara desenham traços de temperatura variável. Continuam a surgir frases por escrever, amores inacabados. O amor é sequioso como uma planta. O melhor é a água. Não há outra maneira. A felicidade é coisa que acontece tarde. Da qual só se tem notícia depois de ter sido. Quando alguém clama: sou feliz, está a preparar-se para a desgraça. Imensas são as coisas que só existem no tempo passado. Não há vagas, quer no inferno, quer no paraíso. Suceder já quer dizer sucedido, porque triunfar é um verbo a morrer. Há em mim qualquer um que tem saudades de si. Saudades imperiosas, bruscas, inevitáveis. Continuo a ignorar para onde foi o que fui, em que casas acordam as pessoas que amei. Dói quase. Assim, sempre assim. Uma espécie de distância que não pode ser percorrida


Pedro Paixão

quarta-feira, 20 de junho de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

diz-me




E para que serve o amor, diz-me já.
Serve para perder o medo
.








Pedro Paixão

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tantas coisas


E depois uma rapariga precisa de algumas coisas, poucas, só que cada uma dessas coisas, por sua vez, precisa de outras coisas e depois já são tantas que para fazer uma mala são precisas duas horas e um quarto.


Pedro Paixão

domingo, 29 de maio de 2011

Coisas do amor


Nunca se sabe o que é para sempre, sobretudo nas coisas do amor.

E era uma coisa do amor, isto tudo.

São tão estranhas as coisas do amor que não se compreendem por inteiro.

Tem de se estar sempre a fazer suposições.

Nunca se sabe como e até que ponto e até quando.

Quando se perde tudo pela primeira vez fica-se com o terror de perder todas as vezes.

O primeiro amor dá cabo de nós.

E o último é sempre o primeiro.

Pedro Paixão