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quinta-feira, 1 de março de 2018

terça-feira, 10 de janeiro de 2017




podes levar os dias que trouxeste






 Pedro Sena-Lino
 (Foto Nostalgia de Tarkovsky)

domingo, 31 de agosto de 2014

Os braços desertos



os pássaros soterraram agosto
 e sem lugar um homem cega pela janela
 o mar que jura ter tocado com o sangue
 podia ter sido o amor se não tivesse vindo 
tão directamente da sede
 um duplo rosto de enganos e os braços
que saíram desertos 
o eco da morte reverbera na pele 
com que vejo a tua ausência encher as ruas
 um choro de papel cai pela terra 
e nunca foi tão tarde ser depois
 daqui onde o grito surdo incendeia 
a refutação da madrugada
 donde o crânio esmaga o coração
 um homem corta pela janela
 a própria certeza de ter sido

não é tarde demais para uma manhã
 que foi a enterrar em tantas noites

as escadas morreram de sede 
a terra caiu em nunca

podes levar os dias que trouxeste 





Pedro Sena-Lino

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

sábado, 14 de janeiro de 2012

Da minha janela



Da minha janela vê-se uma espécie muito rara de angústia
tem o corpo que não ousei que me fosse
usa o amor como se fosse a origem da sede
e sossega-se contra o peito da alvorada
da minha janela vê-se uma espécie única de medo
chama-se eu mas diz-se tu
e por vezes nós quando prende a vida
a algo tão falível como a vida
da minha janela não se vê mais nada
ouve-se o silêncio contra mim
e chove morte contra os vidros
por dentro como soa o fim

Pedro Sena-Lino


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Não sei...


... se alguma vez viste a morte
crescer no corpo de alguém
sobe lenta como se fossem as escadas
a chegar-te depressa
ou a memória como uma coisa viva
e impalpável como uma fotografia


Pedro Sena-lino


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Apenas

Tu chegavas de tão longe que eu não te podia tocar
como se viesses de um sonho ou de uma mentira
o teu corpo era cruel como o nevoeiro
e onde ardia o amor eu era apenas um corpo
Pedro Sena-Lino