Mostrar mensagens com a etiqueta Valter Hugo Mãe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Valter Hugo Mãe. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 21 de abril de 2020

contabilidade



venho para te cortar os dedos em moedas pequenas
 e com elas pagar ao coração o mal que me fizeste


( o pior amor é este, o que já é
feito de ódio também
  
o pior amor é este, o que já é
feito de ódio também)






 valter hugo mãe

sábado, 28 de dezembro de 2019

post it



Há um coração no meu peito que te esqueceste de levar. 
 Ou virás de novo. Devia perguntar-te se fico à espera. 









 Valter Hugo Mãe

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

das coisas impossíveis



trinta cisnes no lago dos teus olhos. foi o que disse. não significa nada. não poderiam aí nadar.
 foi uma imagem. uma ideia. uma vontade grande de dizer que te amo 
e que vejo em ti tudo quanto sendo impossível faria da vida um lugar perfeito 






 Valter Hugo Mãe

terça-feira, 21 de julho de 2015




vou esquecer-te rapidamente até 
que o mundo seja ao contrário, porque o 
amor ao contrário é um ódio 
grande que cura os meus males. 






 valter hugo mãe

quinta-feira, 30 de abril de 2015




quem deixou sobre o coração
 um feixe de luz
 não cega nunca 





 Valter Hugo Mãe

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O lugar onde me escondo


procura-me por todos os lados, procura-me às escuras por todos os lados, 
estarei algures, fremindo, criando bichos entre
 os braços e as pernas, aguardando que
 me salves. só assim te amarei, se souberes 
descortinar o caminho para o lugar onde
 me escondo, com medo, com fantasmas,
 feito para ser amado apenas por quem, 
avistando-me no fundo do poço, me
 puder querer sem garantia de outra condição. 





Valter Hugo Mãe
(Foto de Katia Chausheva)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Eu direi o teu nome


todos os monstros têm o teu nome, de mais ou menos bocas, grandes ou pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou líquenes desfeitos, todos os monstros têm o teu nome e por ofício perseguem-me, entram por mim no soalheiro mundo dos homens, usam a minha incúria eu sou uma esplendorosa borboleta de sangue. um ser que voa no coração e cada monstro virá dizer que me ama e saberá convencer-me a suportar os seus tentáculos, a apreciar até os beijos nos orificios mucosos por onde expele a língua e será capaz de me fazer querer o esbracejar nocturno dos seus gestos e eu direi o teu nome e nunca me enganarei











valter hugo mãe

sábado, 14 de setembro de 2013

Não é sobre a solidão


é sobre a tua ausência no lugar íngreme da minha pele




Valter Hugo Mãe

sábado, 20 de abril de 2013

O poema feio


a princesa feia não casou mas, no tempo em que foi visitada por príncipes solteiros, querendo agradar, cortou uns palmos às pernas para ficar mais baixa e cómoda ao abraço, puxou pelos dedos para ficar com eles compridos, amassou os seios de encontro ao pescoço para subirem aos olhos da gente, rasgou os lábios para sorrir eternamente. agora, ali sentada, sozinha de amores, lembrava-se de ser impossivelmente a mulher que foi, mas os ratos passavam-lhe entre as falhas cortadas das pernas, e os dedos desjuntavam-se irremediavelmente murchos de encontro ao chão, os seios coagularam como calcificados com as marcas desorganizadas das mãos e os lábios articulavam apenas palavras de dentes, trituradas pelo osso da cabeça lentamente vertendo para fora da pele. conformada, a princesa feia, dizia à prioresa sua amiga que o vento estava louco. levantava-se instável e profundamente mortal, fechava a janela e voltava ao silêncio



  Valter Hugo Mãe

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Bom dia



abro os olhos e desperto o dia. crio a explosão do sol cheio sobre mim. arranco-me à terra que na noite me lançou raízes e sacudo-me. separo os braços, abro o vento com as unhas. imagino um voo firme.
cumpro o corpo e outras grandes mentiras


Valter Hugo Mãe

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Um só poema




Cheguei a casa, pouco depois, soterrei a alma, permaneci imóvel diante dos livros. pensei, há-de haver um poema que me tire daqui, um só poema...









Valter Hugo Mãe

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pousado no peito





...Via-se metade ao espelho
... carregado de ausências e de silêncios

Valter Hugo Mãe

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fogo posto


Às vezes perco-me nos caminhos que
conheço. Adormeço nos ruídos do
mundo sonhando banalidades
enquanto sou feliz. Sempre que
falho e fecho os olhos, imagino
outra pessoa perto de mim aquecendo as
mãos no calor do meu corpo como nas labaredas
de uma pequena fogueira







Valter Hugo Mãe

domingo, 24 de julho de 2011

Entre os cardos





não procuro um amor entre os cardos, se é entre os cardos que me vês, procura
pensar que um amor não se perde por ali nem por ali se deve encontrar. se estou
entre os cardos, meu amor, é para te esquecer e se me vires, pensa que é por ti, absolutamente por ti
que procuro apenas dores, apenas fardos, para lentamente matar o meu coração. e
se me vires cair, se entretanto me vires no chão, não me apanhes, não me ajudes, pensa que
já ninguém passeia nos cardos e que o amor, para castigo dos que morrem, recomeça
num outro lugar, seguramente à tua espera. depois sorri mesmo que te seja difícil, se por
mais difícil que seja para mim ver-te sorrir é entre os cardos que devo partir, quando
fugazmente te souber passando, tão parecida com ires buscar a felicidade sem mim ...


valter hugo mãe


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Paro





se não me queres no vento agreste
paro de te soprar no coração...







valter hugo mãe

domingo, 8 de maio de 2011

Perguntas




Se te perguntarem por nós, sobre que coisa fazemos quando estamos juntos,


diz a verdade

que deslocamos os cometas sem querer, as estrelas para desenhos

e a lua garantindo o amor...










Valter Hugo Mãe

domingo, 16 de janeiro de 2011

Lentamente



Agora eu era linda outra vez e tu existias e merecíamos noite inteira um tão grande amor
agora tu eras como o tempo despido dos dias, por fim vulnerável e nu,
E eu era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente se deve morrer de amor






Valter Hugo Mãe

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rouba-me



tira-me daqui.
leva-me a ver algo que não exista e não me devolvas.
rouba-me com loucura e sem pensar em mais nada









Valter Hugo Mãe